VerdadeiroFonteles apareceu entre os nomes cogitados para a Fazenda no governo Lula 4; Geraldo Alckmin também foi citado como possível nome.
Esquerda Centro DireitaGazeta do Povo, Metrópoles, Estadão, ICL Notícias, CNN Brasil, Veja
Reportagens de diferentes grupos citam Fonteles entre os cotados e também mencionam Alckmin como possibilidade.
Ver fontes e trechos (6)
- Gazeta do Povo · Reportagem
Cotado para a Fazenda, Rafael Fonteles enfrenta questionamentos sobre contas do Piauí
Trecho consultado na análise
“Um dos nomes mais cotados para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), tem números pouco convincentes na gestão das contas do Executivo piauiense.
No entanto, o nome agrada parte do mercado financeiro pela formação técnica e atuação fiscal prévia.
Governador do Piauí desde 2023 e reeleito neste ano, Fonteles carrega o déficit deixado no estado.
Somente em 2025, o déficit fiscal foi de R$ 1,25 bilhão, segundo a Secretaria de Planejamento, em um orçamento que saltou de R$ 17,6 bilhões, em 2022, para R$ 30,6 bilhões, em 2025.
A situação somente deve ser revertida em 2029, projeta a Secretaria de Planejamento do Estado, mesmo com o avanço da fronteira agrícola que teve peso relevante na duplicação da arrecadação entre 2022 e 2025.
A melhoria da arrecadação viabilizou o aumento da capacidade de investimento público, mas isso não se refletiu com força no mercado de trabalho: o crescimento real médio dos rendimentos (PNAD Contínua, pesquisa do IBGE) no Piauí foi de 10% entre o último trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026 — menos da metade do ritmo de Pernambuco e um terço do Sergipe.
A taxa de desemprego no segundo trimestre de 2026 era de 8,3%, a quarta maior do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar disso, uma parcela dos agentes do mercado vê o nome com esperança.
"Além de ser político, Fonteles cuidava das finanças do Piauí.
Sempre trabalhou com finanças.
O ideal é ser um político técnico ou um político que entenda e dê respaldo ao seu time técnico", diz o estrategista macro da Genial Investimentos, Roberto Motta.
Analistas do BTG Pactual apontam que nomes como Rafael Fonteles ou o vice-presidente Geraldo Alckmin poderiam reduzir a percepção de risco dos investidores e, consequentemente, o custo de financiamento do governo.
Experiência na Fazenda e formação técnica pesam a favor Analistas apontam que Lula tem preferência histórica por colocar figuras políticas na liderança do Ministério da Fazenda.
Fonteles encaixa-se nessa tradição, mas diferencia-se pela experiência prática direta nas finanças públicas: foi secretário da Fazenda do Piauí antes de se eleger governador.
A bagagem acadêmica é um dos pontos elogiados.
O governador é formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e tem mestrado em economia matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), um dos principais centros de referência de estudo e pesquisa da área no Brasil.
Motta ressalta que esse preparo é um diferencial para lidar com a mecânica dos juros e o manejo das contas públicas.
O lastro técnico está registrado em documento oficial: Fonteles defendeu o equilíbrio fiscal no livro Diretrizes de Longo Prazo de Desenvolvimento do Estado do Piauí, publicado no ano passado.
“É a estabilidade fiscal que garante capacidade de investimento, elemento fundamental para as políticas públicas, para melhorar a infraestrutura e para atrair investimentos privados”, defendeu.
Desafio de Fonteles será convencer Lula a cortar gastos Gestores e estrategistas advertem, contudo, que a escolha do nome, isoladamente, não resolverá o problema fiscal do país.
Para o estrategista da Genial Investimentos, o sucesso de uma eventual gestão de Fonteles na Fazenda dependerá de autorização explícita do presidente da República para comunicar a necessidade de cortar despesas.
“Ele vai ter que entrar falando: 'eu tenho o Lula comigo'", diz Motta.
Sem o apoio visível do Planalto para executar cortes rígidos, qualquer ministro técnico correrá o risco de ver sua credibilidade desgastada pelas pressões políticas internas.
No entanto, por ser um quadro filiado ao PT, paira entre os agentes financeiros o receio de que o governo opte por um ajuste superficial.
O próprio Lula não apresentou, ao longo da campanha eleitoral, compromisso com o ajuste fiscal.
Diante de pressões políticas ou do Congresso, Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, teme que o governo adote medidas paliativas, como cortar gastos não obrigatórios, adiar despesas e buscar receitas extras, sem enfrentar o problema estrutural do Orçamento, que concentra a maior parte dos recursos em despesas obrigatórias.”
- Metrópoles · Reportagem
Por que Dario Durigan é o nome certo para a Fazenda
Trecho consultado na análise
“No momento em que o mercado cobra um sinal rápido e o governo fala em vozes diferentes, o argumento a favor de manter Dario Durigan na Fazenda é simples.
Ele é o único dos cotados que pode agir já, sem curva de aprendizado e sem custo político para Lula.O nome que tem aparecido como favorito em parte da imprensa, porém, é o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Há razões para isso: tem força política, ganhou proximidade com Lula pelo trabalho na campanha do segundo turno e ajudou na preparação do presidente para os debates.
Também encontra receptividade em setores do mercado, pela experiência como secretário da Fazenda do Piauí, entre 2015 e 2022, e pela reputação de compromisso com as contas públicas.A coluna reconhece esses atributos, mas considera que Durigan reúne as melhores condições para dar a resposta imediata que o momento exige.
Fonteles também poderia contribuir em outras pastas importantes.
Já houve, inclusive, defesa de seu nome por um parlamentar de outro partido da base do governo para a Casa Civil, posto para o qual Camilo Santana aparece como favorito.O primeiro trunfo é a continuidade.
Durigan comanda a pasta desde março e foi secretário-executivo de Haddad desde 2023.
Conhece o Orçamento por dentro, a relação com o Congresso e os números que o próximo governo terá de enfrentar.
Enquanto qualquer outro nome precisaria de meses para montar equipe e diagnóstico, ele diz que o governo já tem medidas prontas, incluindo a que permite buscar o centro da meta fiscal.O segundo é a direção.
Durigan foi o primeiro a dar, depois da eleição, o sinal que o mercado esperava.
Propôs mirar o centro da meta, mudando até a Constituição se necessário, e abriu diálogo com economistas de diferentes correntes, como Marcos Lisboa, para discutir saídas possíveis, inclusive temas sensíveis ao PT, como as reformas administrativa e da Previdência.
É uma agenda de ajuste com nome e sobrenome, não uma promessa genérica.O terceiro é a posição política.
Durigan não é filiado ao PT, e fontes próximas ao presidente relatam que Lula entende que um nome do partido teria mais dificuldade para conter o mau humor dos investidores.
Ao mesmo tempo, ele tem boa relação com Lula.
E evita os problemas dos outros cotados.
Fonteles teria de renunciar a um mandato recém-conquistado e aprender Brasília no cargo mais exposto da Esplanada.
Alckmin, como vice, não pode ser demitido do mandato, o que tiraria de Lula o fusível de trocar o ministro sem crise.
Durigan não carrega nenhum desses custos.”
- Estadão · Reportagem
Quem é Rafael Fonteles, governador reeleito no Piauí e um dos cotados para ser ministro de Lula
Trecho consultado na análise
“O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganhou destaque ao participar ativamente da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após estas eleições, passou a ser um dos cotados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do petista, ou eventualmente ocupar outra vaga de peso.
O vice-presidente Geraldo Alckmin é considerado hoje o favorito para a Fazenda .
Fonteles estreou urnas em 2022, quando se elegeu governador derrotando “medalhões” da política local.
Em seu primeiro mandato, fez o Piauí registrar índices socioeconômicos positivos.
Nestas eleições, reelegeu-se ainda em primeiro turno, com a maior votação proporcional do País.
Após a vitória no Estado, entrou no time de Lula na campanha pela reeleição, sendo considerado um dos nomes fundamentais para a virada do presidente sobre Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno à frente do petista nos votos validos.
Publicamente, Fonteles tem negado conversas para assumir a p”
- ICL Notícias · Reportagem
Lula sinaliza que pode indicar Fonteles para Fazenda; governador do PI aceitaria deixar cargo
Trecho consultado na análise
“Por Adriana Fernandes e Catia Seabra
(Folhapress) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a aliados que quer o governador do Piauí, Rafael Fonteles , em sua equipe no quarto mandato, e a vaga mais cotada é o comando do Ministério da Fazenda .
Lula considera que ele é politicamente preparado para o cargo, e auxiliares do presidente afirmam que o governador reeleito do Piauí reúne preparo técnico e densidade eleitoral para ocupar a pasta, considerada a mais importante da Esplanada dos Ministérios.
Fonteles já sinalizou a pessoas próximas de Lula que toparia renunciar ao cargo, apesar da votação expressiva nas eleições em seu estado.
Embora seja politicamente complicado desistir do segundo mandato, uma vez que ele teria que renunciar, aliados do governador afirmam que ele é focado e gosta de desafios.
Esses mesmos auxiliares relatam que o governador aceitaria a função, se o presidente Lula lhe oferecesse o cargo como uma missão.
Não houve, porém, até agora, nenhuma decisão de Lula.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também é um nome citado para a função, em caso de fracasso da opção Fonteles, e não se descarta até um nome de mercado.
Já o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, deve ficar no cargo.
Moretti tem a confiança do presidente pelo seu preparo técnico e habilidade de negociação no Congresso.
Pessoas próximas observam que Fonteles se posicionou para assumir um espaço de destaque em eventual governo Lula 4 ainda durante as eleições.
Trocou o vice e escolheu Washington Bandeira, que era secretário de Educação e pessoa de sua confiança.
Enfrentou dirigentes locais do PT para emplacar esse nome.
Aliados do governador afirmam que ele é pragmático e tem como vice-governador na chapa vitoriosa um amigo de confiança, facilitando uma eventual saída do cargo.
Na função de um dos coordenadores da campanha presidencial no segundo turno, Fonteles foi quem orientou Lula nos debates ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE) e do ministro da Secom (Secretaria de Comunicação), Sidônio Palmeira.
No discurso da vitória, no domingo (25), recebeu elogio especial de Lula.
Em 2022, quando foi eleito pela primeira vez para o governo do estado, Fonteles era apontado como o “Tarcísio da esquerda”, numa referência ao governador de São Paulo, que naquele ano também foi eleito para o cargo com apoio de Jair Bolsonaro.
Na época, petistas da área econômica apontavam que ele ganharia preeminência na política nacional pelo desempenho à frente da Secretaria da Fazenda durante o governo Wellington Dias, quando foi uma espécie de “ministro da Fazenda” dos estados ao comandar o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal) no biênio 2019-2021.
Com apenas 37 anos à época, ele era visto como um nome para a renovação do PT.
Mas ao longo do terceiro mandato de Lula, essa projeção no cenário nacional como contraponto a Tarcísio não aconteceu.
O espaço acabou ocupado por Fernando Haddad, que concorreu com Tarcísio nas eleições deste ano a pedido de Lula.
Um amigo próximo do governador atribuiu o fato de Fonteles não ter ganhado espaço de influência maior no governo Lula 3, como se esperava no início, à pouca idade.
Segundo esse colega, para os petistas da velha guarda, Fonteles é “um baby”, com pouca história política no partido, que teria que enfrentar a fila antes de ser alçado a nome para suceder Lula.
No domingo (25), reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o governador do Piauí já era citado como um dos cotados para o cargo, além de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e dos senadores Camilo Santana e Renan Calheiros (MDB-AL), dois ex-ministros de Lula.
Um executivo de uma grande instituição financeira, ouvido pela reportagem, disse que auxiliares do presidente já tinham sondado o nome de Alckmin para o cargo junto ao mercado antes do segundo turno, mas a recepção não foi calorosa.
Ele não vê resistência do mercado ao nome de Fonteles, mas a preferência é pelo presidente do BC.”
- CNN Brasil · Reportagem
Durigan diz que não há definição sobre Fazenda e elogia nome de Fonteles
Trecho consultado na análise
“O ministro da Fazenda, Dario Durigan, considera positiva uma eventual indicação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para o comando da pasta econômica.
Como mostrou a CNN Brasil, o nome do governador despontou como um dos favoritos para ocupar o Ministério da Fazenda.
Rafael Fonteles foi reeleito governador do Piauí no 1° turno.
Segundo Durigan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai definir a nova composição da Esplanada dos Ministérios nas próximas semanas.
O ministro da Fazenda se reuniu com o petista na última segunda-feira (26).
"Não tratamos de equipe.
Isso é um assunto que o presidente vai se debruçar nas próximas semanas para definir.
Acho o nome do Rafael um excelente nome", declarou Durigan a jornalistas nesta terça-feira (27).
A eventual ida de Fonteles para a Fazenda tem como justificativa sua trajetória.
Antes de assumir o governo do Piauí, ele comandou a Secretaria estadual da Fazenda e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda).
A nomeação de Fonteles ao Ministério da Fazenda exigiria deixar o governo estadual.
O chefe do Executivo é formado em matemática e mestre em economia matemática.”
- Veja · Reportagem
Quem é Rafael Fonteles, cotado para o Ministério da Fazenda do governo Lula 4
Trecho consultado na análise
“Governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT) ganhou projeção nacional ao coordenar a comunicação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde a derrota do primeiro turno, quando o presidente teve 45,16% dos votos válidos contra 47,03% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O piauiense pôde se dedicar exclusivamente à campanha presidencial após ser reeleito para o governo do estado com 70,90% dos votos válidos, sendo o governador mais bem votado do país.
Agora, o governador nordestino é um dos cotados para chefiar o Ministério da Fazenda, após Lula sair vitorioso do segundo turno da eleição, com 51,79% dos votos contra 48,21% do candidato bolsonarista.Com 41 anos de idade, Fonteles nasceu em 1985, no contexto da redemocratização, quando Lula tinha idade semelhante.
Ele se filiou ao Partido dos Trabalhadores em 2001, aos 16 anos.
No ano seguinte, foi aprovado em primeiro lugar para cursar Matemática na Universidade Federal do Piauí, concluindo a graduação em dois anos.
Terminou seu mestrado aos 21 anos, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro.
Fonteles foi professor e consultor de investimentos antes de ingressar na vida pública.Fonteles comandou as finanças do Piauí entre 2015 e 2022, como secretário da Fazenda no governo de Wellington Dias (PT).
Ao final desse período, disputou sua primeira eleição, sucedendo Dias no governo do estado.
Ele foi eleito no primeiro turno, com 57,17% dos votos válidos.O governador do Piauí, agora reeleito, é tido como um dos quadros técnicos e moderados do PT -- uma tendência entre os principais expoentes do partido no Nordeste.
Fonteles é afeito a parcerias público-privadas (PPPs), defende políticas para melhorar a trajetória da dívida pública e é elogioso da gestão de Fernando Haddad (PT) à frente da Fazenda.
“O presidente [Lula] tem compromisso, sim, com o equilíbrio das contas públicas”, disse o piauiense em entrevista ao canal GloboNews nesta segunda-feira, 26, após a reeleição do presidente.Em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA, em maio, o governador disse que a eleição de Lula seria “novamente decidida por eleitores do centro e os mais independentes”.
Questionado sobre como angariar votos desses eleitores, Fonteles elogiou a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente na chapa de Lula e pregou por conciliação: “Temos que nos unir a outras forças políticas, mais ao centro e até mesmo à centro-direita, para garantir que o nosso time represente a maioria da população”, disse.
O prognóstico da época parece acertado.
Os estados onde Lula observou maior crescimento de votos entre o primeiro e o segundo turno foram São Paulo e Minas Gerais, que não podem ser considerados redutos do petismo.Durante a campanha do segundo turno, Fonteles gravou um vídeo no qual presenteava Lula com um celular.
O presidente, que celebra seus 81 anos na terça-feira, 27, não possuía um aparelho do tipo até então.
A mobilização digital da campanha se provou definitiva para a virada, seja através dos perfis petistas nas redes sociais ou do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, do deputado André Janones (Rede-MG).
Em seu discurso de vitória, Lula disse que a comunicação digital será alçada a um novo patamar em seu quarto mandato.Se Fonteles integrar o novo governo federal, seja no Ministério da Fazenda ou em outro cargo, ele terá que deixar o governo do Piauí.
Seu vice eleito, Washington Bandeira, também do PT, assumiria a máquina estadual.”
Encontrou um erro?VerdadeiroEm 26 e 27 de outubro, ainda não havia definição sobre o próximo titular da Fazenda, e Lula deveria decidir a composição nas semanas seguintes.
Esquerda CentroICL Notícias, CNN Brasil
ICL Notícias relata que Lula ainda não havia decidido; CNN Brasil informa que ele definiria a nova composição nas semanas seguintes.
Ver fontes e trechos (2)
VerdadeiroFonteles foi reeleito governador do Piauí no primeiro turno.
Centro DireitaO Globo, Estadão, CNN Brasil, Veja
Reportagens dos veículos de centro e direita informam a reeleição no primeiro turno; O Globo também o identifica como governador reeleito.
Ver fontes e trechos (4)
- O Globo · Reportagem
Entrevista: cotado para Fazenda, Fonteles diz que Lula sabe da necessidade de dívida sustentável, mas quer agenda 'ousada'
Trecho consultado na análise
“O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, afirmou em entrevista ao GLOBO que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem consciência da necessidade de garantir uma trajetória sustentável para a dívida pública.
Para ele, que foi um dos destaques da campanha presidencial no segundo turno e é um dos citados nos bastidores do atual governo como possível nome para o Ministério da Fazenda, esse processo é condição essencial para reduzir os juros e ampliar o crescimento.
Segundo ele, Lula deverá conciliar, em seu quarto mandato, uma agenda mais ousada de desenvolvimento econômico e avanços sociais com o compromisso de responsabilidade fiscal.
Fonteles afirmou que não conversou com o presidente sobre política econômica e tampouco sobre a composição do futuro governo.
Em relação à possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda, afirmou que nunca tratou disso com Lula e ressaltou que não cogitou essa hipótese.
Na avaliação de Fonteles, uma das principais lições da campanha foi a importância de ampliar a conexão do presidente com a população por meio das redes sociais, estratégia que, segundo ele, deverá ser incorporada à gestão para o governo explicar melhor suas ações.
Abaixo alguns dos principais trechos da entrevista:
Qual é o rumo que o senhor enxerga, tanto em termos econômicos como políticos, para o governo Lula após a virada e a reeleição no segundo turno?
Eu queria primeiro enfatizar que, apesar de toda essa especulação na mídia, eu não conversei com o presidente, não tive nenhuma tratativa sobre cargo ou mesmo conversa sobre a política econômica do governo.
Mas o senhor descarta aceitar um convite para o ministério da Fazenda?
E, voltando ao início, como o senhor enxerga o futuro governo Lula?
Como ele mesmo frisou, estará ainda mais aberto, essa mudança na sua comunicação digital que teve na campanha, eu acho que isso vai ser extrapolado para o governo.
Repito, o presidente está mais aberto a fazer um governo ainda mais ousado do ponto de vista do desenvolvimento, econômico, da melhoria da qualidade de vida do povo, sem descuidar da responsabilidade, fiscal.
É que o senhor sabe que o mercado está querendo sinais mais claros, principalmente do lado da despesa, porque se não conter despesa vai ter que aumentar mais imposto.
O que o senhor diria para quem está olhando o governo Lula e teme que será mais do mesmo na área fiscal?
Eu nunca falei com o presidente sobre política econômica.
Ele tem falado com a equipe econômica muito competente que ele tem atualmente, desde o ministro Haddad, agora o ministro Dario, o ministro Moretti, são pessoas extremamente competentes, responsáveis e que têm conseguido, repito, fazer um trabalho de equilíbrio fiscal certamente melhor do que o governo anterior (Jair Bolsonaro).
As provas disso são inúmeras, mas um exemplo claro é esse da melhoria do resultado primário ano após ano.
Olha, se eu for dar alguma sugestão, será primeiro para ele, não vou dar publicamente.
Ele é o presidente eleito e tem experiência mais do que suficiente, já foi testado e aprovado no governo e nas urnas várias vezes.
Ele vai tomar as medidas nesse caminho que eu já falei, de conciliar a agenda dos ganhos sociais, do crescimento econômico e da responsabilidade fiscal.
O senhor acha que o mercado está exagerando nessa inquietação com o quarto governo Lula?
Os próprios economistas mais ortodoxos, divergem em diversas questões.
Ele tem compromisso com a responsabilidade fiscal e com a trajetória da dívida pública sustentável no curto, médio e longo prazo.
O presidente tem visão clara de que essa trajetória da dívida deve ser sustentável, inclusive para possibilitar a redução de juros e, consequentemente, permitir o maior crescimento econômico, que é o foco principal dele.
O presidente Lula no segundo turno conseguiu se conectar mais com a população.
Isso permite a ele poder explicar de maneira mais clara e mais ágil as suas ações e as suas propostas, como, ao mesmo tempo, receber do povo o feedback, as demandas, o que a população está achando de cada questão que envolve o poder público.
Esse é um ganho enorme que o presidente passou a ter e que ele deve levar essa experiência positiva também para o governo.
A juventude, os idosos, as mulheres tiveram um papel muito relevante nessa vitória do presidente Lula.
A responsabilidade fiscal, o equilíbrio fiscal, é uma premissa de qualquer governo e o presidente tem consciência disso e sempre demonstrou isso nos seus governos.
Então, eu acho que, naturalmente, as pessoas, os agentes econômicos vão perceber essa responsabilidade fiscal do presidente, esse compromisso em garantir uma trajetória sustentável da dívida pública e os mercados, inclusive os mercados financeiros, vão estar em uma situação de normalidade.
Eu acredito muito nisso, mas, obviamente, é o presidente que vai.
Tem um governo a ser concluído, processos em andamento, inclusive em relação à política econômica com essa equipe econômica muito boa que ele tem, com o Dario, com o Moretti, que tem conduzido muito bem o equilíbrio fiscal do país.
O senhor acha que o governo deveria reduzir um pouco o teto de gastos, que cresce a 2,5% acima da inflação?
Eu estou evitando dar qualquer comentário ou opinião sobre política econômica específica porque tem toda essa especulação e eu realmente não falei com o presidente nada sobre isso.
O presidente Lula teve, das últimas três eleições do PT, o melhor resultado.
Claro que isso vai ser uma discussão longa com o Congresso, mas é um exemplo de como o presidente quer que essas emendas sejam utilizadas.
Eu não sei quem vai fazer articulação política, não me cabe aqui comentar, mas sem dúvida o presidente sai fortalecido dessa eleição, e com grande capacidade de formar maioria sólida nas duas Casas, com vários partidos.
Eu estou querendo terminar esse ano meu governo aqui no Piauí muito bem e começar o próximo ainda melhor do que o que fiz nesse primeiro mandato, até porque eu tive mais votos e a responsabilidade é ainda maior.
Eu acredito que o endividamento para investimentos em infraestrutura no caso dos estados, que não mexem com política macroeconômica, não emitem títulos, não emitem dívida, é salutar.
O senhor foi muito ativo também na mobilização para melhorar os votos no Nordeste para o presidente Lula no segundo.
A diferença média do percentual de votos do presidente Lula em relação a 2022 no Nordeste foi em torno de 2% a 3% no primeiro turno, dependendo do Estado.
Aqui teve uma diferença de 0,9% em relação ao segundo turno de 2022.
Não quer dizer que o governo acertou em tudo.
Um tema que o governo federal quer e vai se dedicar mais é o da segurança pública, por exemplo, cuja responsabilidade principal é dos governadores.
O senhor defende um ministério à parte para segurança pública?
Defendo o ministério, o Sistema Único de Segurança Pública, mais recursos e mais poder de coordenação do governo federal no combate ao crime organizado.”
VerdadeiroFonteles comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí antes de ser governador, entre 2015 e 2022, e presidiu o Comsefaz.
Esquerda Centro DireitaGazeta do Povo, ICL Notícias, CNN Brasil, Veja
A informação sobre a experiência na Fazenda estadual e no Comsefaz aparece em reportagens dos três grupos.
Ver fontes e trechos (4)
- Gazeta do Povo · Reportagem
Cotado para a Fazenda, Rafael Fonteles enfrenta questionamentos sobre contas do Piauí
Trecho consultado na análise
“Um dos nomes mais cotados para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), tem números pouco convincentes na gestão das contas do Executivo piauiense.
No entanto, o nome agrada parte do mercado financeiro pela formação técnica e atuação fiscal prévia.
Governador do Piauí desde 2023 e reeleito neste ano, Fonteles carrega o déficit deixado no estado.
Somente em 2025, o déficit fiscal foi de R$ 1,25 bilhão, segundo a Secretaria de Planejamento, em um orçamento que saltou de R$ 17,6 bilhões, em 2022, para R$ 30,6 bilhões, em 2025.
A situação somente deve ser revertida em 2029, projeta a Secretaria de Planejamento do Estado, mesmo com o avanço da fronteira agrícola que teve peso relevante na duplicação da arrecadação entre 2022 e 2025.
A melhoria da arrecadação viabilizou o aumento da capacidade de investimento público, mas isso não se refletiu com força no mercado de trabalho: o crescimento real médio dos rendimentos (PNAD Contínua, pesquisa do IBGE) no Piauí foi de 10% entre o último trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026 — menos da metade do ritmo de Pernambuco e um terço do Sergipe.
A taxa de desemprego no segundo trimestre de 2026 era de 8,3%, a quarta maior do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar disso, uma parcela dos agentes do mercado vê o nome com esperança.
"Além de ser político, Fonteles cuidava das finanças do Piauí.
Sempre trabalhou com finanças.
O ideal é ser um político técnico ou um político que entenda e dê respaldo ao seu time técnico", diz o estrategista macro da Genial Investimentos, Roberto Motta.
Analistas do BTG Pactual apontam que nomes como Rafael Fonteles ou o vice-presidente Geraldo Alckmin poderiam reduzir a percepção de risco dos investidores e, consequentemente, o custo de financiamento do governo.
Experiência na Fazenda e formação técnica pesam a favor Analistas apontam que Lula tem preferência histórica por colocar figuras políticas na liderança do Ministério da Fazenda.
Fonteles encaixa-se nessa tradição, mas diferencia-se pela experiência prática direta nas finanças públicas: foi secretário da Fazenda do Piauí antes de se eleger governador.
A bagagem acadêmica é um dos pontos elogiados.
O governador é formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e tem mestrado em economia matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), um dos principais centros de referência de estudo e pesquisa da área no Brasil.
Motta ressalta que esse preparo é um diferencial para lidar com a mecânica dos juros e o manejo das contas públicas.
O lastro técnico está registrado em documento oficial: Fonteles defendeu o equilíbrio fiscal no livro Diretrizes de Longo Prazo de Desenvolvimento do Estado do Piauí, publicado no ano passado.
“É a estabilidade fiscal que garante capacidade de investimento, elemento fundamental para as políticas públicas, para melhorar a infraestrutura e para atrair investimentos privados”, defendeu.
Desafio de Fonteles será convencer Lula a cortar gastos Gestores e estrategistas advertem, contudo, que a escolha do nome, isoladamente, não resolverá o problema fiscal do país.
Para o estrategista da Genial Investimentos, o sucesso de uma eventual gestão de Fonteles na Fazenda dependerá de autorização explícita do presidente da República para comunicar a necessidade de cortar despesas.
“Ele vai ter que entrar falando: 'eu tenho o Lula comigo'", diz Motta.
Sem o apoio visível do Planalto para executar cortes rígidos, qualquer ministro técnico correrá o risco de ver sua credibilidade desgastada pelas pressões políticas internas.
No entanto, por ser um quadro filiado ao PT, paira entre os agentes financeiros o receio de que o governo opte por um ajuste superficial.
O próprio Lula não apresentou, ao longo da campanha eleitoral, compromisso com o ajuste fiscal.
Diante de pressões políticas ou do Congresso, Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, teme que o governo adote medidas paliativas, como cortar gastos não obrigatórios, adiar despesas e buscar receitas extras, sem enfrentar o problema estrutural do Orçamento, que concentra a maior parte dos recursos em despesas obrigatórias.”
VerdadeiroFonteles participou da campanha de Lula no segundo turno; reportagens o descrevem como um dos coordenadores ou como atuante na campanha.
Esquerda DireitaUOL, Estadão, ICL Notícias, Veja
Reportagens dos veículos de esquerda e direita relatam sua participação na campanha; ICL Notícias e Veja detalham sua atuação junto a Lula.
Ver fontes e trechos (4)
- UOL · Reportagem
Fonteles só troca Piauí por Fazenda se tiver 'carta branca', dizem aliados
Trecho consultado na análise
“Nos corredores do Palácio de Karnak, em Teresina, a ida do governador Rafael Fonteles para Brasília é dada como certa, caso o convite se confirme.
Fontes locais afirmaram ao UOL que o terreno para uma renúncia já está até preparado com a escolha de seu homem de confiança, Washington Bandeira (PT), como seu vice.
Mas há um porém: aliados do governador afirmam que, mesmo sendo chamado para a joia da Coroa do governo, o Ministério da Fazenda, o petista só decidiria renunciar ao mandato se recebesse "carta branca" do presidente Lula para atuar.
A avaliação, tanto no governo quanto no Piauí, é que Fonteles "saiu grandão" da campanha de Lula e ganhou a confiança extrema do presidente.
A simpatia ele já tinha, uma vez que é filho de um fundador do PT, Nazareno Fonteles, e conhece Lula desde criança.
No segundo turno, Fonteles foi convocado para coordenar a campanha e viajou ao lado do presidente para as agendas pelos estados.
Foi elogiado por ele por "enterrar a carreira do [senador] Ciro Nogueira" no Piauí.
"Rafael pegou o deputado Julio César (PSD) pela mão, rodou todo o estado e tirou o mandato do Ciro no Senado, por isso o presidente diz que ele enterrou a carreira do senador", relata um auxiliar do governador.
E fez com gosto, pois queria se vingar de Ciro, ex-aliado do petismo, considerado por eles traidor do ex-governador e hoje ministro Wellington Dias.
Wellington é como um "tio" de Fonteles, foi seu mentor na política, mas a cria ficou maior que o criador e, na avaliação dos aliados no Piauí, ele terá um cargo de destaque no quarto mandato de Lula, se habilitando como liderança nacional.
Três pontos mostram a influência que o governador tem exercido no entorno de Lula.
Primeiro, a nomeação de Chico Lucas para uma secretaria no Ministério da Justiça para implantar o programa de segurança dos celulares.
Hoje, Lucas é cotado para assumir a pasta no ano que vem.
No segundo turno, Lula saiu com um bordão de que seu governo colocaria os bandidos na cadeia.
No primeiro turno, o slogan de Fonteles para a segurança pública, área em que vai bem no Piauí, era "bandido bom é bandido preso".
Por fim, aliados do governador veem sua influência na mudança de opinião de Lula sobre a redução da maioridade penal.
A redução para 16 anos para crimes hediondos era defendida por Rafael Fonteles, uma ideia dissonante dentro do PT.
Foi encampada também pelo senador Camilo Santana, do Ceará, que pode assumir a Casa Civil no quarto mandato.
Mesmo com alas mais tradicionais contrárias, Fonteles escolheu pessoalmente Washington Bandeira para ser seu vice no governo do PI.
É um ex-juiz do Trabalho que renunciou ao cargo para assumir, em janeiro de 2023, a Secretaria de Educação do Piauí.
Com seu homem de confiança, Fonteles não teria receio em renunciar e deixar o estado.
Aliados também entendem que a aprovação popular do presidente Lula no estado — que teve no Piauí a maior votação do país, com 75,88% dos votos válidos — seria bem vista.
Outro ponto que os aliados destacam é que Fonteles poderia ajudar Lula com sua experiência de secretário da Fazenda no governo de Wellington Dias (2015-2022).
Isso, fazem questão de destacar, vai além da capacidade técnica.
Além de formação na área, Fonteles é tida como uma figura respeitada na área econômica e conhecida nacionalmente porque foi presidente do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal), eleito em março de 2019 e reeleito por aclamação dois anos depois.
Foi sob sua liderança que o Comsefaz articulou, diretamente com o Congresso e com o governo Jair Bolsonaro, o pacote de socorro financeiro aos estados e municípios na pandemia, que ajudou as unidades da federação diante da queda abrupta de arrecadação no ICMS.
Ele também foi apontado como maior responsável por juntar os 27 secretários de Fazenda, superando rivalidades históricas de arrecadação regional, em torno de uma proposta unificada à reforma tributária.
"Fonteles é um empresário que começou na carreira política já como secretário de Fazenda do Piauí.
Em 2022, foi eleito governador do estado até mesmo com apoio de setores da direita mais moderada.
Tem todo perfil para o cargo", diz Vitor Sandes, cientista político da UFPI (Universidade Federal do Piauí).
A possível indicação de Fonteles ao Ministério da Fazenda é vista positivamente por profissionais do mercado financeiro , como mostrou o UOL, embora esses operadores questionam se Fonteles teria apoio político para promover um ajuste nas contas públicas.
Sobre um eventual dano à imagem caso renuncie ao mandato que foi eleito, Vitor acredita que o cenário é favorável.
"Politicamente, a avaliação geral é que seria um salto: ele ocuparia uma posição de destaque nacional.
Claro que há um risco envolvido, mas talvez ele não tenha outra oportunidade de ocupar um cargo de projeção nacional como este, ainda mais tendo uma janela de oportunidade em 2030 [para disputar a Presidência]".
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Não verificávelSegundo dados da Secretaria de Planejamento citados na reportagem, o Piauí teve déficit fiscal de R$ 1,25 bilhão em 2025, e a reversão era projetada para 2029.
DireitaGazeta do Povo
Gazeta do Povo atribui os números e a projeção à Secretaria de Planejamento do estado; o material não traz confirmação independente desses dados.
Ver fontes e trechos (1)
- Gazeta do Povo · Reportagem
Cotado para a Fazenda, Rafael Fonteles enfrenta questionamentos sobre contas do Piauí
Trecho consultado na análise
“Um dos nomes mais cotados para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), tem números pouco convincentes na gestão das contas do Executivo piauiense.
No entanto, o nome agrada parte do mercado financeiro pela formação técnica e atuação fiscal prévia.
Governador do Piauí desde 2023 e reeleito neste ano, Fonteles carrega o déficit deixado no estado.
Somente em 2025, o déficit fiscal foi de R$ 1,25 bilhão, segundo a Secretaria de Planejamento, em um orçamento que saltou de R$ 17,6 bilhões, em 2022, para R$ 30,6 bilhões, em 2025.
A situação somente deve ser revertida em 2029, projeta a Secretaria de Planejamento do Estado, mesmo com o avanço da fronteira agrícola que teve peso relevante na duplicação da arrecadação entre 2022 e 2025.
A melhoria da arrecadação viabilizou o aumento da capacidade de investimento público, mas isso não se refletiu com força no mercado de trabalho: o crescimento real médio dos rendimentos (PNAD Contínua, pesquisa do IBGE) no Piauí foi de 10% entre o último trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026 — menos da metade do ritmo de Pernambuco e um terço do Sergipe.
A taxa de desemprego no segundo trimestre de 2026 era de 8,3%, a quarta maior do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar disso, uma parcela dos agentes do mercado vê o nome com esperança.
"Além de ser político, Fonteles cuidava das finanças do Piauí.
Sempre trabalhou com finanças.
O ideal é ser um político técnico ou um político que entenda e dê respaldo ao seu time técnico", diz o estrategista macro da Genial Investimentos, Roberto Motta.
Analistas do BTG Pactual apontam que nomes como Rafael Fonteles ou o vice-presidente Geraldo Alckmin poderiam reduzir a percepção de risco dos investidores e, consequentemente, o custo de financiamento do governo.
Experiência na Fazenda e formação técnica pesam a favor Analistas apontam que Lula tem preferência histórica por colocar figuras políticas na liderança do Ministério da Fazenda.
Fonteles encaixa-se nessa tradição, mas diferencia-se pela experiência prática direta nas finanças públicas: foi secretário da Fazenda do Piauí antes de se eleger governador.
A bagagem acadêmica é um dos pontos elogiados.
O governador é formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e tem mestrado em economia matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), um dos principais centros de referência de estudo e pesquisa da área no Brasil.
Motta ressalta que esse preparo é um diferencial para lidar com a mecânica dos juros e o manejo das contas públicas.
O lastro técnico está registrado em documento oficial: Fonteles defendeu o equilíbrio fiscal no livro Diretrizes de Longo Prazo de Desenvolvimento do Estado do Piauí, publicado no ano passado.
“É a estabilidade fiscal que garante capacidade de investimento, elemento fundamental para as políticas públicas, para melhorar a infraestrutura e para atrair investimentos privados”, defendeu.
Desafio de Fonteles será convencer Lula a cortar gastos Gestores e estrategistas advertem, contudo, que a escolha do nome, isoladamente, não resolverá o problema fiscal do país.
Para o estrategista da Genial Investimentos, o sucesso de uma eventual gestão de Fonteles na Fazenda dependerá de autorização explícita do presidente da República para comunicar a necessidade de cortar despesas.
“Ele vai ter que entrar falando: 'eu tenho o Lula comigo'", diz Motta.
Sem o apoio visível do Planalto para executar cortes rígidos, qualquer ministro técnico correrá o risco de ver sua credibilidade desgastada pelas pressões políticas internas.
No entanto, por ser um quadro filiado ao PT, paira entre os agentes financeiros o receio de que o governo opte por um ajuste superficial.
O próprio Lula não apresentou, ao longo da campanha eleitoral, compromisso com o ajuste fiscal.
Diante de pressões políticas ou do Congresso, Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, teme que o governo adote medidas paliativas, como cortar gastos não obrigatórios, adiar despesas e buscar receitas extras, sem enfrentar o problema estrutural do Orçamento, que concentra a maior parte dos recursos em despesas obrigatórias.”