VerdadeiroLara Resende negou ter conversado ou ter contato com Lula e disse que não tinha reunião marcada com o presidente.
Esquerda Centro DireitaDiário do Centro do Mundo, CNN Brasil, O Antagonista, Folha de S.Paulo
A declaração é relatada por veículos dos três grupos e pela imprensa internacional; as reportagens a atribuem ao economista, sem confirmar eventual tentativa de encontro por terceiros.
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- Diário do Centro do Mundo · Reportagem
Lara Resende nega conversa com Lula e diz que notícia tentou “queimar” proposta
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“O economista André Lara Resende negou ter conversado ou ter uma reunião marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir sua proposta de criar um órgão de coordenação das políticas fiscal e monetária.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que os rumores sobre uma aproximação com o governo tentaram desgastar a ideia e pessoas que a apoiaram.
“Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado”, disse Lara Resende na quarta-feira (5).
“Essa notícia foi plantada, obviamente, para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo — incluindo o próprio Lula”.
Um dos formuladores do Plano Real e ex-presidente do BNDES, Lara Resende publicou em setembro um artigo em que sugere a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional.
A proposta ganhou projeção depois que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhou o texto e o classificou como fundamental para enfrentar o debate sobre a política fiscal.
O economista disse que entrou “como Judas no Pai Nosso” em uma disputa interna que, segundo ele, teria motivado a divulgação dos rumores.
Ele não identificou quem seria alvo da suposta ofensiva, mas sustentou que não pretende assumir cargo no governo.
Conselho exigiria aprovação do Congresso A ideia de Lara Resende prevê um conselho responsável por fixar diretrizes de longo prazo para a política fiscal e a taxa básica de juros.
O Banco Central continuaria com autonomia operacional e o Comitê de Política Monetária (Copom) não seria substituído, segundo a formulação apresentada pelo economista.
Ele defende que o órgão inclua o presidente do Banco Central, o ministro da Fazenda, o secretário do Tesouro e especialistas.
Como o conselho teria atribuições sobre as diretrizes macroeconômicas, sua criação dependeria de aprovação do Congresso Nacional.
Lara Resende afirma que o principal fator de pressão sobre a dívida pública é o custo dos juros, e não o déficit primário.
Para ele, a Selic elevada aumenta as despesas financeiras do governo e transfere recursos aos detentores de títulos públicos, que ele chamou de “bolsa-rentista”.
O economista rejeitou a interpretação de que propõe um tabelamento de juros.
O texto sugeriu como referência uma redução gradual da Selic para perto de 7,5% ao ano em cerca de 12 meses, mas ele afirmou que tanto o prazo quanto o número eram apenas indicativos e deveriam variar conforme as condições econômicas.
A proposta recebeu críticas de representantes do mercado financeiro e de setores da oposição, que apontaram riscos à autonomia do Banco Central, ao câmbio e à inflação.
O economista estadunidense John Cochrane classificou a formulação como sofisticada, mas disse não conhecer precedente histórico bem-sucedido para esse tipo de mudança.
Lara Resende reconheceu que uma queda dos juros pode provocar pressão temporária sobre o câmbio e os preços, mas avaliou que o Brasil tem condições de reduzir esse risco por ter reservas internacionais, superávit comercial e dívida pública majoritariamente denominada em reais.
“Não estou propondo nem tabelamento, nem levar para juros negativos”, afirmou.”
- CNN Brasil · Reportagem
Não falei com Lula nem tenho nada marcado, diz Lara Resende
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“O economista André Lara Resende afirmou que não conversou sobre nenhuma proposta econômica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que não tem nenhum encontro marcado com o chefe de Estado.
Lara Resente tem tomado conta do noticiário nos últimos dias após informações de que o economista se reuniria com o presidente, reacendendo preocupações no mercado financeiro e entre especialistas de diferentes correntes.
As informações foram dadas à BBC News Brasil.
"Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado", afirmou.
"Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo — incluindo o próprio Lula.
Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso".
O nome do economista entrou em cena, principalmente, depois da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) elogiar um artigo publicado por ele pelas redes sociais, afirmando que era "fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista" dos mercados contra a agenda fiscal do governo.
No artigo, o economista propõe criar um CFMN (Conselho Fiscal e Monetário Nacional), que estabeleceria metas conjuntas para a política fiscal e monetária, com horizonte de quatro a cinco anos.
Alvo de críticas do mercado financeiro, a parte considerada mais controversa da proposta prevê que o Banco Central manteria a taxa básica de juros em um intervalo entre 3% e aproximadamente 5,5% ao ano (crescimento nominal potencial estimado).
A Selic só poderia ficar fora desse intervalo em situações excepcionais autorizadas pelo conselho.
Lara Resende ainda defende uma transição em 12 meses para levar a selic a 7,5% ao ano.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% depois da manutenção da Selic por parte do Copom (Comitê de Política Monetária) em sua última reunião, em 4 de novembro.
Lara Resende afirmou que o núcleo central de sua proposta parte do pressuposto de que "o déficit fiscal brasileiro se dá sobretudo devido ao serviço da dívida [pública, ou seja, os juros pagos sobre a dívida]". https://youtu.be/ar_IU9JPROY?
si=J6RE5bd_KM0uCR0f Para ele, a dívida pública é alta, cerca de 80% do PIB (Produto Interno Bruto), mas não é considerada extraordinariamente alta.
Portanto, o problema do déficit, em sua visão, passa a ser mais atrelado ao juros elevados do que da própria dívida em si.
"O núcleo da proposta é responder porque a taxa básica de juros é extraordinariamente alta no Brasil e como escapar dessa armadilha.
Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação.
Nossa política fiscal tem muito que ser aprimorada.
Os gastos, por exemplo, são em grande parte patrimonialistas, demagógicos e populistas, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro."
A opinião técnica de Resende vai contra a maior parte do mercado.
José Júlio Senna, por exemplo, economista e ex-diretor do Banco Central, discordou, em entrevista ao WW da CNN Brasil, das teses apresentadas.
"Não há aspecto algum do texto com o qual eu me sinta à vontade de concordar", declarou Senna, que admitiu que os juros exercem "uma influência importante", mas que não são a principal ou única causa do problema.
*Com informações de Daniel Rittner e Danilo Moliterno, da CNN Brasil https://stories.cnnbrasil.com.br/economia/juros-altos-preocupam-69-dos-brasileiros-com-aumento-do-custo-de-vida/”
- O Antagonista · Reportagem
“Notícia foi plantada”, diz Lara Resende sobre encontro com Lula
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“Alvo de muita especulação a respeito de um possível encontro com Lula (PT), o economista André Lara Resende (à direita na foto) negou que tenha recebido qualquer convite para se reunir com o petista e conversar sobre o artigo Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos, publicado em 25 de setembro no Substack.
Em entrevista à BBC Brasil, o economista, um dos formuladores dos planos Real e Cruzado, disse que a notícia foi "plantada" e que não tem qualquer intenção de ir para o governo.
"Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado .
Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo — incluindo o próprio Lula", disse.
"Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso", continuou.
Leia também: Ex-tucano faz música para ouvidos petistas Gleisi e os juros Publicado antes do primeiro turno da eleição, o texto ganhou maior repercussão quando a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), ex-ministra e ex-presidente nacional do PT, compartilhou o artigo em suas redes sociais em 1º de novembro.
"Artigo de André Lara Resende, publicado em 25 de setembro, é fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira", escreveu no X.
Rapidamente, outros petistas e aliados do governo Lula começaram a repercutir o conteúdo do artigo, dias antes do Comitê de Política Monetária do Banco Central se reunir para avaliar a taxa básica de juros.
Apesar da pressão, o Copom freou a queda na Selic, mantida em 13,75%.
A decisão contrariou o governo Lula, que busca uma maneira de reduzir os juros sem assumir um compromisso para reduzir os gastos e controlar a inflação.
Leia também: O custo Lula https://www.youtube.com/watch?
vLAPSjblHY-c”
- Folha de S.Paulo · Reportagem
'Não falei com Lula nem tenho nada marcado. Isso foi plantado para queimar alguém que defendeu a proposta', diz economista André Lara Resende
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“Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
O economista André Lara Resende não imaginava que um artigo que ele publicou em sua newsletter na plataforma Substack, na metade de setembro, propondo a criação de um novo órgão de manejo das políticas monetária e fiscal, faria tanto alvoroço meses depois .
Presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) por oito meses em 1998, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e diretor do Banco Central entre 1985 e 1986, no período de José Sarney (MDB), ele vê, há dias, seu texto pautar toda a discussão sobre o horizonte econômico do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).
"Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro", completou em entrevista nesta quarta-feira (5).
Na análise de Lara Resende, o desequilíbrio das contas públicas brasileiras é causado mais pelo juro básico elevado do que pelos gastos do governo propriamente - ao contrário do que aponta uma parte significativa do setor financeiro.
A relação entre o texto publicado antes do primeiro turno da eleição e a realidade não foi fortuita: começou quando a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhou o artigo em seu perfil nas redes sociais, apontando-o como "fundamental para enfrentar a ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira".
Imediatamente, parte do mercado passou a prospectar não só que o economista se encontraria com Lula —que analisa nomes para encabeçar seu futuro Ministério da Fazenda — como que a proposta contida no texto seria levada a cabo.
"Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado [para apresentar a ideia a ele].
Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo - incluindo o próprio Lula", afirma.
"Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso".
Um dos formuladores do Plano Real, que estancou a hiperinflação brasileira da transição das décadas de 1980 e 1990, André Lara Resende explica, nesta conversa, que o núcleo da sua proposta está na criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), um órgão que atuaria lado a lado com o Banco Central para formular metas de longo prazo ao manejo fiscal do país e para a taxa básica de juros.
Para ir adiante, contudo, esse plano precisaria passar pelo crivo do Congresso Nacional, porque o BC não tem autonomia institucional para criar conselhos próprios, apenas comitês consultivos.
Resende sustenta um diálogo com o economista americano John Cochrane, pesquisador da Hoover Institution, ligada à Universidade Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, que se tornou conhecido por ter construído uma teoria alternativa aos efeitos dos juros sobre a inflação .
Nesta semana, Cochrane publicou uma nota, também em uma newsletter no Substack, qualificando a proposta de Lara Resende como "sofisticada", mas dizendo que ela se apega mais a preceitos teóricos do que práticos .
Eles se apegaram, principalmente, a um trecho do artigo em que o economista estabelece que, "para dar início ao novo regime fiscal e monetário, o BC anunciaria a redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano".
"Eu tenho uma longa tradição de ser contra tabelamentos de qualquer tipo", responde ele.
A trajetória e o ritmo [da taxa básica de juros] devem ser avaliados ao longo da implantação da proposta de acordo com a evolução das circunstâncias", continua.
Nessa entrevista, Lara Resende explora as nuances da sua proposta, reflete sobre teoria da relação entre juros e inflação e critica comparações feitas, nos últimos dias, ao seu plano, como a queda dos juros incitada na Turquia de Recep Erdogan.
A dívida pública é alta - [corresponde a] cerca de 80% do PIB -, mas não é extraordinariamente alta.
Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação.
Os gastos, por exemplo, são em grande parte patrimonialistas, demagógicos e populistas, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro.
H
oje o Brasil não tem dívida externa.
A dívida pública brasileira é quase integralmente carregada por residentes do país e é denominada pela moeda nacional.
Essa confusão entre dívida interna e externa, embora seja comum, é um grande equívoco, porque o pagamento da dívida externa exige a transferência real de recursos para o exterior, mas a dívida interna, não: ela é a dívida que o Estado tem com o setor privado.
Sempre se soube que consumo e investimento são pouco sensíveis à taxa de juros, mas essa era a hipótese: [que a alta dos juros] provoca desaquecimento da economia , desemprego e modera os salários pela relação empírica que nós, economistas, chamamos de "curva de Phillips" [a relação inversa entre desemprego e inflação].
Mas a curva de Phillips desapareceu no mundo todo, não só no Brasil.
Porque a redução do desemprego não pressiona a inflação.
Fato é que, sem um mecanismo de transmissão, não há mais como explicar como a taxa de juros reduz inflação.
Minha proposta não é, com certeza, sobre tabelamento dos juros.
Para que as expectativas não se desancorem.
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
O economista John Cochrane, porém, escreveu não conhece "nenhum precedente histórico bem-sucedido" dessa mudança e que ela "se baseia mais em teorias do que em políticas".
Pois fui eu quem propus a moeda indexada naquela época, e você não tem ideia de como foi a reação, do tanto de dúvidas que existia em relação à URV.
Também não havia experiência conhecida sobre como vencer uma inflação como a brasileira, fora as experiências da primeira metade do século 20.
Na verdade, nós não temos um problema de inflação hoje no Brasil.
Não estou tentando baixar a inflação e, sim, a taxa de juros.
Política fiscal e política monetária são intrinsecamente interligadas, porque o instrumento dos bancos centrais não é mais a quantidade de moeda [em circulação na economia], mas, sim, a taxa básica de juros que, por sua vez, afeta diretamente as despesas dos governos.
Quem não pensa, quem não questiona, não faz avançar o conhecimento humano.
Não ter tido experiência anterior não quer dizer absolutamente nada.
Não.
Mas, bem entendida e bem implementada, ela é um avanço institucional com uma alta probabilidade de dar certo.
Não estou propondo nem tabelamento, nem levar para juros negativos nem uma repressão financeira, mas simplesmente levar os juros reais a um nível compatível com os do mundo - onde ela é a metade disso.
O ponto crítico é se isso levaria a um repique inflacionário, desancorando o câmbio, com saídas de capitais e valorização do dólar - um canal de transmissão de inflação em países de economia aberta.
Mas o Brasil não tem dívida externa, não tem déficit comercial - ao contrário, tem um robustíssimo superávit comercial, com contas externas muito sólidas e equilibradas - tem zero de dívida externa, além de possuir US$ 370 bilhões em reservas.
Não seria um tabelamento da taxa de câmbio.
O BC simplesmente anunciaria, para não haver surpresa, que ele evitaria flutuações drásticas da taxa de câmbio.
Ele já faz isso, inclusive.
Ele indicaria qual é a taxa de câmbio que considera razoável, não a imporia ao mercado.
O senhor aponta que a redução da taxa de juros faria, de imediato, a inflação subir até voltar a uma estabilidade no longo prazo.
Mas essa alta inicial dos preços, com a Selic baixa, não acabaria custando o emprego da equipe econômica de ocasião?
Por isso que é que o Banco Central deve anunciar, em um forward guidance, qual é a trajetória [esperada] para a taxa de câmbio.
Mas, o que eu defendo é que esse repique seria pouco provável na situação brasileira, tanto porque a dívida do Brasil é de curto prazo, especialmente de LFTs [sigla para Letra Financeira do Tesouro, um título público de rentabilidade indexada na Selic], que faria esse efeito ser muito fraco, como porque o país não tem dívida externa e possui uma boa reserva de dólares.
Eu respondi que não.
Não mudaria nada.
Não penso em um conselho enorme: precisaria ter mais uns dois ou três experts.
Não seria um comitê do Banco Central, que continuaria a ser operacionalmente independente.
O CMN tinha representantes setoriais, o que é um equívoco: os conselheiros devem representar o interesse nacional, não os setoriais.
Mais
Até 2017, a dívida pública não havia passado de 50% do PIB.
De lá para cá, porém, ela subiu 30 pontos percentuais, enquanto a Selic não se manteve estável.
Se, como o senhor escreveu, "o cerne do problema fiscal reside no serviço da dívida e todo o resto é secundário", por que a dívida cresceu mesmo quando a taxa básica de juros não estava tão elevada?
O que impressiona é o contrário: como uma taxa básica de juros tão alta não fez a dívida explodir ainda?
O problema é esse: a taxa de juros extraordinariamente alta!
Isso não é um aval para subscrever a política fiscal brasileira, que é ruim tanto no lado dos gastos quanto no lado das receitas.
O que aconteceu naquele contexto que não se repetiria agora?
O fato aí é, em primeiro lugar, que o Tombini não reduziu os juros por ordem da presidente Dilma Rousseff [PT], como foi percebido à época por causa da pressão que ela exercia.
Todo presidente quer baixar os juros, mas achar isso é um pênalti total.
O Tombini não fez isso - e eu nem o conheço, mas sei que ele não fez.
Os gastos com a máquina pública e com as transferências devem ser integralmente cobertos pela arrecadação tributária, e devemos exigir que essas contas estejam equilibradas.
Porém, os gastos de investimento —e temos sempre que definir o que é gasto de investimento, por isso a necessidade de um conselho que faça isso—, teria um orçamento separado cujo custeio não viria pela arrecadação.
Não faz sentido.
O mundo de hoje não é de renda, mas de riqueza, de ganho de capital.
A riqueza financeira hoje é a expansão de crédito, são os direitos sobre produtividade humana, que não são inflacionários porque não se transformam imediatamente em despesas.
Evidentemente que não.
Naturalmente muita gente gostou, da mesma forma que é quase unânime que quem não gostou foi o sistema financeiro e seus representantes na grande mídia.
Não quer dizer que elas não achem que não têm riscos, que ela deva ser implementada - eu acho que sim, mas eu também sou cauteloso.
O Cochrane disse isso: que não conhece o Brasil, mas que a proposta é inteligente, apesar da cautela necessária.
Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado [para apresentar a ideia a ele].
Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo - incluindo o próprio Lula.
Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso.
É que não acho que a minha proposta tenha algo de mudança profunda.
Como me disse um colega: só os tolos seriam contra uma proposta de coordenação das políticas monetária e fiscal por meio de um conselho.
Não tem nada de revolucionário ou de dramático nisso.
Eu também sou descrente do Estado, mas, ao contrário dele [Cochrane], não desisti.
Sou um cético esperançoso: tenho esperança de que o Estado possa ser inteligente, eficiente e que defenda o bem público, e não interesses corporativos, personalistas e patrimonialistas, como tem sido no Brasil e no mundo.
Mas, voltando ao ponto inicial da conversa, como seria possível coordenar essas expectativas se o senhor aponta tanto que o setor financeiro não concorda de antemão com a proposta, justificando-se pelo argumento do excesso de gastos, quanto que há muita desconfiança institucional para que o Estado promova algum tipo de mudança nos juros?
O diferencial de juros em relação ao exterior continuaria muito atraente, e o "risco fiscal e político" de um default [não pagamento da dívida] seria afastado.
Essa é uma alternativa muito superior para o próprio mercado rentista, que teria ganhos menores, mas mais sustentáveis.
Não gasta muito.
A base do argumento, nesse caso, está na elevação da própria dívida.
Mas a dívida subiu não porque o governo gasta muito, e sim porque o serviço da dívida, isto é, os juros altos, a fez crescer.
É verdade: a carga tributária pode ser melhorada, porque é confusa e distorciva.
Mas não tem a nada a ver com que dizer que o governo gasta muito.
Não.
Não vamos ficar voltando a ele.”
- BBC News Brasil · Imprensa internacional
'Não falei com Lula nem tenho nada marcado. Isso foi plantado para queimar alguém que defendeu a proposta', diz economista André Lara Resende
Trecho consultado na análise
“O economista André Lara Resende não imaginava que um artigo que ele publicou em sua newsletter na plataforma Substack, na metade de setembro, propondo a criação de um novo órgão de manejo das políticas monetária e fiscal, faria tanto alvoroço meses depois.
Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por oito meses em 1998, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e diretor do Banco Central (BC) entre 1985 e 1986, no período de José Sarney (MDB), ele vê, há dias, seu texto pautar toda a discussão sobre o horizonte econômico do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .
"Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro", completou em entrevista nesta quarta-feira (5/11).
Na análise de Lara Resende, o desequilíbrio das contas públicas brasileiras é causado mais pelo juro básico elevado do que pelos gastos do governo propriamente — ao contrário do que aponta uma parte significativa do setor financeiro.
A relação entre o texto publicado antes do primeiro turno da eleição e a realidade não foi fortuita: começou quando a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhou, na quarta-feira passada (28/10), o artigo em seu perfil nas redes sociais, apontando-o como "fundamental para enfrentar a ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira".
Imediatamente, parte do mercado passou a prospectar não só que o economista se encontraria com Lula — que analisa nomes para encabeçar seu futuro Ministério da Fazenda — como que a proposta contida no texto seria levada a cabo.
"Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado [para apresentar a ideia a ele].
Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo — incluindo o próprio Lula", afirma.
"Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso".
Um dos formuladores do Plano Real, que estancou a hiperinflação brasileira da transição das décadas de 1980 e 1990, André Lara Resende explica, nesta conversa, que o núcleo da sua proposta está na criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), um órgão que atuaria lado a lado com o Banco Central para formular metas de longo prazo ao manejo fiscal do país e para a taxa básica de juros.
Para ir adiante, contudo, esse plano precisaria passar pelo crivo do Congresso Nacional, porque o BC não tem autonomia institucional para criar conselhos próprios, apenas comitês consultivos.
Resende sustenta um diálogo com o economista americano John Cochrane, pesquisador da Hoover Institution, ligada à Universidade Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, que se tornou conhecido por ter construído uma teoria alternativa aos efeitos dos juros sobre a inflação.
Nesta semana, Cochrane publicou uma nota, também em uma newsletter no Substack, qualificando a proposta de Lara Resende como "sofisticada", mas dizendo que ela se apega mais a preceitos teóricos do que práticos.
Eles se apegaram, principalmente, a um trecho do artigo em que o economista estabelece que, "para dar início ao novo regime fiscal e monetário, o BC anunciaria a redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano".
"Eu tenho uma longa tradição de ser contra tabelamentos de qualquer tipo", responde ele.
A trajetória e o ritmo [ da taxa básica de juros ] devem ser avaliados ao longo da implantação da proposta de acordo com a evolução das circunstâncias", continua.
Nessa entrevista, Lara Resende explora as nuances da sua proposta, reflete sobre teoria da relação entre juros e inflação e critica comparações feitas, nos últimos dias, ao seu plano, como a queda dos juros incitada na Turquia de Recep Erdogan.
André Lara Resende - Ela parte do pressuposto de que o déficit fiscal brasileiro se dá sobretudo devido ao serviço da dívida [pública, ou seja, os juros pagos sobre a dívida].
A dívida pública é alta — [corresponde a] cerca de 80% do PIB —, mas não é extraordinariamente alta.
Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação.
Os gastos, por exemplo, são em grande parte patrimonialistas, demagógicos e populistas, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro.
Lara Resende - Viemos de uma tradição de juros muito altos desde o [Plano] Real [em 1994].
Hoje o Brasil não tem dívida externa.
A dívida pública brasileira é quase integralmente carregada por residentes do país e é denominada pela moeda nacional.
Essa confusão entre dívida interna e externa, embora seja comum, é um grande equívoco, porque o pagamento da dívida externa exige a transferência real de recursos para o exterior, mas a dívida interna, não: ela é a dívida que o Estado tem com o setor privado.
Lara Resende - A ideia de que a política monetária controla a inflação através da taxa básica de juros é altamente questionável.
Sempre se soube que consumo e investimento são pouco sensíveis à taxa de juros, mas essa era a hipótese: [que a alta dos juros] provoca desaquecimento da economia, desemprego e modera os salários pela relação empírica que nós, economistas, chamamos de "curva de Phillips" [a relação inversa entre desemprego e inflação].
Mas a curva de Phillips desapareceu no mundo todo, não só no Brasil.
Lara Resende - Porque a redução do desemprego não pressiona a inflação.
Fato é que, sem um mecanismo de transmissão, não há mais como explicar como a taxa de juros reduz inflação.
Minha proposta não é, com certeza, sobre tabelamento dos juros.
Para que as expectativas não se desancorem.
BBC News Brasil - O economista John Cochrane, porém, escreveu não conhece "nenhum precedente histórico bem-sucedido" dessa mudança e que ela "se baseia mais em teorias do que em políticas".
Lara Resende - Você já ouviu falar em moeda indexada na URV [Unidade Real de Valor, que operou a transição do cruzeiro real para o real, em 1994]?
Pois fui eu quem propus a moeda indexada naquela época, e você não tem ideia de como foi a reação, do tanto de dúvidas que existia em relação à URV.
Também não havia experiência conhecida sobre como vencer uma inflação como a brasileira, fora as experiências da primeira metade do século 20.
Na verdade, nós não temos um problema de inflação hoje no Brasil.
Não estou tentando baixar a inflação e, sim, a taxa de juros.
Lara Resende - Política fiscal e política monetária são intrinsecamente interligadas, porque o instrumento dos bancos centrais não é mais a quantidade de moeda [em circulação na economia], mas, sim, a taxa básica de juros que, por sua vez, afeta diretamente as despesas dos governos.
Quem não pensa, quem não questiona, não faz avançar o conhecimento humano.
Não ter tido experiência anterior não quer dizer absolutamente nada.
Não.
Mas, bem entendida e bem implementada, ela é um avanço institucional com uma alta probabilidade de dar certo.
Lara Resende - Os 12 meses e a taxa a 7,5% são meramente indicativos.
Lara Resende - Na possibilidade de que as expectativas sejam negativas.
Não estou propondo nem tabelamento, nem levar para juros negativos nem uma repressão financeira, mas simplesmente levar os juros reais a um nível compatível com os do mundo — onde ela é a metade disso.
O ponto crítico é se isso levaria a um repique inflacionário, desancorando o câmbio, com saídas de capitais e valorização do dólar — um canal de transmissão de inflação em países de economia aberta.
Mas o Brasil não tem dívida externa, não tem déficit comercial — ao contrário, tem um robustíssimo superávit comercial, com contas externas muito sólidas e equilibradas — tem zero de dívida externa, além de possuir US$ 370 bilhões em reservas.
Não seria um tabelamento da taxa de câmbio.
O BC simplesmente anunciaria, para não haver surpresa, que ele evitaria flutuações drásticas da taxa de câmbio.
Ele já faz isso, inclusive.
Ele indicaria qual é a taxa de câmbio que considera razoável, não a imporia ao mercado.
BBC News Brasil - O senhor aponta que a redução da taxa de juros faria, de imediato, a inflação subir até voltar a uma estabilidade no longo prazo.
Mas essa alta inicial dos preços, com a Selic baixa, não acabaria custando o emprego da equipe econômica de ocasião?
Lara Resende - Eu sou o mais radical anti-inflação.
Por isso que é que o Banco Central deve anunciar, em um forward guidance , qual é a trajetória [esperada] para a taxa de câmbio.
Mas, o que eu defendo é que esse repique seria pouco provável na situação brasileira, tanto porque a dívida do Brasil é de curto prazo, especialmente de LFTs [sigla para Letra Financeira do Tesouro, um título público de rentabilidade indexada na Selic], que faria esse efeito ser muito fraco, como porque o país não tem dívida externa e possui uma boa reserva de dólares.
Lara Resende - Boa pergunta.
Eu respondi que não.
Não mudaria nada.
Não penso em um conselho enorme: precisaria ter mais uns dois ou três experts.
Lara Resende - Teria que ser criado pelo Congresso.
Não seria um comitê do Banco Central, que continuaria a ser operacionalmente independente.
O CMN tinha representantes setoriais, o que é um equívoco: os conselheiros devem representar o interesse nacional, não os setoriais.
BBC News Brasil - Até 2017, a dívida pública não havia passado de 50% do PIB.
De lá para cá, porém, ela subiu 30 pontos percentuais, enquanto a Selic não se manteve estável.
Se, como o senhor escreveu, "o cerne do problema fiscal reside no serviço da dívida e todo o resto é secundário", por que a dívida cresceu mesmo quando a taxa básica de juros não estava tão elevada?
Lara Resende - A dívida cresce pelo serviço da dívida (os juros, o custo) e pelo déficit primário.
O que impressiona é o contrário: como uma taxa básica de juros tão alta não fez a dívida explodir ainda?
O que aconteceu naquele contexto que não se repetiria agora?
Lara Resende - Os fatos estão sempre sujeitos a como eles são relatados e às interpretações.
O fato aí é, em primeiro lugar, que o Tombini não reduziu os juros por ordem da presidente Dilma Rousseff [PT], como foi percebido à época por causa da pressão que ela exercia.
Lara Resende - Devem ser racionalizados e coerentes.
Não faz sentido.
Lara Resende - Evidentemente que não.
O Cochrane disse isso: que não conhece o Brasil, mas que a proposta é inteligente, apesar da cautela necessária.
Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado [para apresentar a ideia a ele].
Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo — incluindo o próprio Lula.
Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso.
Lara Resende - É que não acho que a minha proposta tenha algo de mudança profunda.
Não tem nada de revolucionário ou de dramático nisso.
Sou um cético esperançoso: tenho esperança de que o Estado possa ser inteligente, eficiente e que defenda o bem público, e não interesses corporativos, personalistas e patrimonialistas, como tem sido no Brasil e no mundo.
BBC News Brasil - Mas, voltando ao ponto inicial da conversa, como seria possível coordenar essas expectativas se o senhor aponta tanto que o setor financeiro não concorda de antemão com a proposta, justificando-se pelo argumento do excesso de gastos, quanto que há muita desconfiança institucional para que o Estado promova algum tipo de mudança nos juros?
Lara Resende - A redução gradual e anunciada da taxa básica de juros para uma faixa em que ela fosse menor do que o crescimento da economia garantiria a convergência da relação entre dívida e PIB.
O diferencial de juros em relação ao exterior continuaria muito atraente, e o "risco fiscal e político" de um default [não pagamento da dívida] seria afastado.
Essa é uma alternativa muito superior para o próprio mercado rentista, que teria ganhos menores, mas mais sustentáveis.
Não gasta muito.
Lara Resende - Mas a dívida subiu não porque o governo gasta muito, e sim porque o serviço da dívida, isto é, os juros altos, a fez crescer.
É verdade: a carga tributária pode ser melhorada, porque é confusa e distorciva.
Mas não tem a nada a ver com que dizer que o governo gasta muito.
Lara Resende - Não.
Lara Resende - A sustentabilidade disso depende muito de quantas pessoas querem acreditar que a bolha não vai estourar, mas, como toda bolha financeira, ela estoura de surpresa, e daí vem um crash .
Lara Resende — O Plano Real foi extraordinário, mas passou.”
Encontrou um erro?VerdadeiroLara Resende afirmou que a notícia sobre a aproximação foi plantada para prejudicar a proposta ou alguém que a defendeu.
Esquerda Centro DireitaDiário do Centro do Mundo, CNN Brasil, O Antagonista, Folha de S.Paulo, g1
As reportagens dos três grupos reproduzem essa acusação atribuída ao economista; o material não confirma que a notícia tenha sido plantada.
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VerdadeiroA proposta de Lara Resende prevê um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar diretrizes de longo prazo das políticas fiscal e monetária.
Esquerda CentroDiário do Centro do Mundo, CNN Brasil, Folha de S.Paulo
Diário do Centro do Mundo, CNN Brasil e Folha de S.Paulo descrevem o conselho e sua função; BBC News Brasil também apresenta essa finalidade. Trata-se de uma proposta, não de uma medida implementada.
Ver fontes e trechos (4)
VerdadeiroA criação do conselho dependeria de aprovação do Congresso, segundo as reportagens.
EsquerdaDiário do Centro do Mundo, Folha de S.Paulo
Diário do Centro do Mundo e Folha de S.Paulo dizem que a criação precisaria de aprovação do Congresso; BBC News Brasil também relata essa condição. As fontes descrevem uma exigência para a proposta avançar, não uma aprovação já ocorrida.
Ver fontes e trechos (3)
VerdadeiroA proposta menciona uma redução gradual da Selic para perto de 7,5% ao ano em cerca de 12 meses, com prazo e taxa apresentados como indicativos.
Esquerda CentroDiário do Centro do Mundo, CNN Brasil, Folha de S.Paulo
Diário do Centro do Mundo, CNN Brasil e Folha de S.Paulo relatam a referência de 7,5% e o horizonte de cerca de 12 meses; Diário do Centro do Mundo e BBC News Brasil registram que esses parâmetros eram indicativos.
Ver fontes e trechos (4)