- Folha de S.Paulo · Reportagem
Brasileiro eleito na Flórida critica abrigo a Flávio Bolsonaro e diz se espelhar em Erika Hilton
Trecho consultado na análise
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Felipe Sousa-Lazaballet , 40 anos, gargalhou quando soube que virou meme por ser de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos , ele será o primeiro brasileiro a integrar o legislativo do estado .
"Imigrante eleito, eu acredito.
Agora, de Duque de Caxias?", brincavam os memes.
Nas eleições de terça-feira (3), Sousa-Lazaballet venceu a disputa pelo Distrito 42, na região metropolitana de Orlando, em um estado de maioria republicana, e integra um grupo de sete brasileiros, todos democratas, eleitos deputados estaduais em três estados americanos.
Ele foi a preferência de 49.752 eleitores, o equivalente a 62,41% dos votos.
Filho de uma empregada doméstica cearense, o democrata saiu do Brasil aos 14 anos e viveu mais de uma década sem documentos nos EUA, período em que relata ter tido várias portas fechadas por conta de sua situação irregular.
Foi somente em 2021 que conseguiu obter a cidadania americana, quando pôde atuar na política institucional.
Antes disso, participou da marcha que saiu a pé da Flórida até Washington, em 2010, para pedir a legalização dos chamados dreamers, imigrantes levados aos EUA ainda crianças.
Foi depois dessa mobilização, aos 26 anos, que ele teve permissão para trabalhar.
Ele cumpria os critérios do Daca, um programa federal criado durante o governo de Barack Obama para oferecer proteção temporária contra a deportação de imigrantes de até 31 anos e que haviam entrado nos EUA antes dos 16.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele atribuiu sua vitória ao "corpo a corpo" da campanha, mas também ao desgaste com as políticas do presidente Donald Trump .
O deputado estadual eleito critica fortemente a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
Segundo ele, escolas públicas do condado de Orange perderam milhares de alunos, filhos de imigrantes, por deportações ou medo.
Ele também criticou o abrigo dado pelo governo americano ao candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro (PL), na Flórida.
O senador está no país desde 28 de outubro .
"Não faz sentido nenhum para mim aceitar um político fugido do Brasil", diz.
"Os EUA não deveriam interferir e, enquanto isso, estão deportando empregada doméstica que nunca cometeu nenhum crime."
Para o deputado eleito, os brasileiros que chegam a cargos públicos nos EUA podem ser "uma ponte econômica, social e cultural" entre os dois países, cujas relações se tornaram tensas entre o governo Trump e o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na Assembleia da Flórida, o democrata diz que vai levar uma pauta focada na "melhoria da vida das pessoas" que moram no estado, batizada de Prosperando Juntos.
Você vai ser o primeiro deputado estadual brasileiro na Flórida e o primeiro imigrante que se declara gay também no cargo.
Eu saí do Brasil quando eu tinha 14 anos de idade.
E, quando cheguei aqui, fui indocumentado por 15 anos na minha vida.
E eu acho que esse é o tipo de representação que eu vou levar para Tallahassee [cidade do Norte do estado de Flórida]: uma pauta focada na melhoria da vida das pessoas que estão morando aqui, por meio da saúde, da educação pública, de moradias que sejam justas e baratas, e a proteção aos direitos civis e ao nosso meio ambiente.
Cresci em Santa Cruz da Serra [bairro de Duque de Caxias], não é um lugar onde tem muitas oportunidades, principalmente na época em que eu morava no Brasil.
Mais
Então não era uma coisa que estava na minha cabeça, mas, ao mesmo tempo, a luta pela justiça social é uma coisa que eu já tenho feito há 20 anos.
Quem diria que o menino que cresceu em Duque de Caxias um dia ia se tornar um deputado estadual aqui na Flórida, fazendo história.
E existe um outro grupo de pessoas que está dizendo: "Não, nós todos somos americanos."
E, ao mesmo tempo, no contexto da Flórida, existiram várias leis contra a comunidade LGBT.
Aqui na Flórida teve até um processo em que certos monumentos com arco-íris tiveram que ser trocados.
Como deputado estadual, o que você poderia fazer de concreto, já que a imigração é um tema federal?
Aqui na Flórida, infelizmente, somos o Estado que deporta mais pessoas no país inteiro, e a razão principal foi por causa de uma lei estadual que passou em 2025, que praticamente obriga o corpo da polícia, os governos municipais, a trabalhar com o ICE.
Esses são impactos gigantescos num contexto nacional, mas, ao mesmo tempo, que estão tendo um impacto desproporcional aqui na Flórida por causa dessas leis que são estaduais, passadas aqui.
O assunto da imigração deveria ser só tratado pelo governo federal, mas vários Estados, inclusive a Flórida, estão tomando essa atitude anti-imigrante que está causando cada vez mais dano, não somente à comunidade imigrante, mas, sinceramente, a todos.
Porque, por exemplo, quando tem uma tempestade e o teto cai, o que acontece muito na Flórida, por causa dos furacões, não tem mão de obra que vá reconstruir essas casas.
Ou seja, está se criando não só um problema para os imigrantes, mas também para as pessoas que são a favor dos imigrantes, mas até mesmo para a pessoa que está somente vivendo a vida dela.
O Brasil é um dos grandes exportadores para a Flórida, e a Flórida exporta muita coisa para o Brasil.
Por exemplo, a Erika Hilton [deputada federal pelo PSOL por SP].
Eu acho incrível a maneira como ela consegue trazer uma pauta de representação, mas, ao mesmo tempo, uma pauta que é focada na classe trabalhadora.
A Flórida também tem sido um destino frequente de políticos e apoiadores da direita brasileira como Flávio Bolsonaro e outros aliados da família Bolsonaro.
O que você acha dessa articulação política que eles fazem a partir da Flórida?
Minha opinião é simples: o Brasil é um país soberano, a justiça brasileira deve ser respeitada, e não faz sentido nenhum para mim aceitar um político fugido do Brasil aqui.
Segundo dados do TSE, a maioria do eleitorado brasileiro na Flórida está mais identificada com a direita.
Como é a sua relação com a comunidade brasileira na Flórida, que pode ser mais conservadora?
Eu trabalho com quem quer trabalhar comigo, porque é o que eu sempre digo: se eu não concordo com você em 80% das coisas, mas concordo em 20%, vamos trabalhar nesses 20%.”
- O Globo · Reportagem
‘Ele dizia que queria ser presidente’, lembra diarista de Duque de Caxias sobre filho eleito deputado nos EUA
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“Antes mesmo de aprender a ler e escrever, Felipe Sousa-Lazaballet já anunciava o que queria ser quando crescesse: presidente.
A lembrança é da mãe, Francisca Neide Sousa, de 74 anos, que acompanhou a infância do filho em Botafogo, na Zona Sul do Rio, e em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Décadas depois, ela vê o menino que gostava de liderar chegar à Câmara dos Representantes da Flórida, nos Estados Unidos, como o primeiro brasileiro eleito para o Legislativo estadual do país.
Filho de diarista , brasileiro eleito na Flórida vendia bolos na escola para comprar material de estudo Diferença salarial: Brasileiro eleito deputado na Flórida ganhará menos que parlamentares da Alerj
— Ele não sabia ler nem escrever, mas já tinha vontades.
Eu falava assim: "O que que você quer ser quando crescer?"
Ele dizia: "Presidente".
Todo lugar que ele chegava, queria ser líder — conta Francisca.
Cearense, ela chegou ao Rio ainda jovem e criou os três filhos sozinha, trabalhando como diarista para sustentar a família.
Felipe era ainda bebê quando moraram em Botafogo, onde os vizinhos já o chamavam de “presidente”.
Por volta dos oito anos, mãe e filho se mudaram para Santa Cruz da Serra.
A casa que encontraram tinha aproximadamente metade do tamanho atual e ainda não tinha piso.
— A gente pisava no chão, era barro.
A gente chegou, e ele ajudou a fazer a casa junto com os pedreiros, fazia massa corrida.
Eu trabalhava e ele ficava em casa tomando conta da obra — lembra.
Na região, não havia abastecimento de água nem energia elétrica.
A família dependia de um poço.
Inconformado com as condições do lugar onde vivia, Felipe já demonstrava disposição para cobrar mudanças das autoridades.
Ainda menino, passou três dias escrevendo uma carta ao prefeito de Duque de Caxias para reclamar da falta de água e luz.
A iniciativa não foi a única demonstração de independência do garoto.
Então ele dizia: "Mãe, me ensina a fazer um bolo".
Aos 11 anos, recebeu uma tarefa sobre a origem do samba e foi orientado pela professora a procurar informações na Biblioteca Nacional, no Centro do Rio.
Como a mãe precisava trabalhar e não tinha dinheiro para pagar o deslocamento dos dois, explicou ao filho como chegar sozinho ao local.
Francisca orientou Felipe a pegar o ônibus 121 na Central, pedir ajuda ao motorista e descer perto da biblioteca.
— Ele chegou tão feliz e disse: "Mãe, eu fui tão bem tratado".
Rumo aos EUA aos 14 anos
Aos 14 anos, Felipe deixou o Brasil e embarcou sozinho para Miami, nos Estados Unidos.
A decisão veio depois que a irmã mais velha, então com 18 anos e já emigrada, propôs levar o irmão para morar com ela.
O filho ainda era uma criança, mas insistia que queria estudar, conseguir um emprego e ajudar a mãe.
Tinha 14 anos.
Mas ele dizia: "Mãe, se eu for, vou estudar, arrumar emprego e ajudar a senhora" — lembra.
No primeiro emprego nos Estados Unidos, Felipe recebeu US$ 300 por semana e enviou US$ 100 para a mãe.
Segundo Francisca, continuou ajudando financeiramente a família todos os meses.
A adaptação, porém, esteve longe de ser simples.
Felipe chegou a Miami sem falar inglês e precisou retomar os estudos em uma escola americana.
A irmã, Franci, de 54 anos, lembra que, no começo, ele dizia ter a impressão de que os americanos falavam um “português estranho”: não entendia o que diziam.
O bom desempenho não eliminou as dificuldades impostas pela falta de documentação migratória.
Ao se preparar para entrar na universidade, Felipe descobriu que não tinha número de Social Security, documento necessário para acessar oportunidades disponíveis a estudantes com situação migratória regular.
Também não podia obter carteira de motorista nem concorrer às mesmas bolsas estaduais e auxílios governamentais.
Depois de concluir o ensino médio, em 2005, trabalhou durante um ano em um armazém, carregando caixas.
Como estudante sem documentação regular, pagava três vezes mais pela mensalidade do que os colegas em situação migratória regular.
Caso Rosalina: ex-deputado acusado de assassinato em Saquarema diz que crime já prescreveu
Em 2007, depois de assistir a uma reportagem sobre a detenção de um jovem colombiano por autoridades migratórias, Felipe entrou em contato com um movimento estudantil que defendia os direitos de jovens imigrantes.
Em 2010, participou da Trail of Dreams (Trilha dos Sonhos), caminhada de aproximadamente 2,4 mil quilômetros entre Miami e Washington.
Felipe passou quase 15 anos sem conseguir voltar ao Brasil.
A primeira viagem de retorno ocorreu em março de 2015.
A família organizou uma espécie de comitiva para recebê-lo no aeroporto, mas a alegria da chegada vinha acompanhada de apreensão: todos temiam que algum documento não fosse validado e que ele enfrentasse problemas para entrar no país.
Na imigração, uma funcionária examinou seus documentos e o recebeu com uma frase que o emocionou: “Bem-vindo à sua casa”.
Aos 26 anos, foi contemplado pelo DACA, sigla em inglês para Ação Diferida para Chegadas na Infância, programa criado durante o governo Obama que oferece proteção temporária contra a deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes que chegaram ao país ainda crianças.
Em 2020, quando se casou com Luis Sousa-Lazaballet, já tinha o green card, obtido por meio de uma petição familiar.
Antes de disputar uma vaga no Legislativo estadual, trabalhou durante cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer.
Nas eleições de meio de mandato americanas, as chamadas midterms, Felipe derrotou a republicana Bonnie Jackson e conquistou uma cadeira na Câmara dos Representantes da Flórida.
Quase 25 anos depois de deixar Duque de Caxias sem falar inglês e sem documentação migratória, tornou-se o primeiro brasileiro a chegar ao Legislativo estadual americano.
Ao falar sobre o futuro, descartou voltar ao Brasil para fazer política e disse estar comprometido com a comunidade da Flórida, onde pretende continuar atuando como legislador.
— Eu sempre serei um menino que cresceu lá em Santa Cruz da Serra e vou continuar sendo aquela pessoa que busca as mudanças contra as injustiças sociais que acontecem no nosso mundo — afirmou.
Sobre o novo desafio, disse que pretende honrar o compromisso com os eleitores.
Fiz um compromisso com 200 mil pessoas e agora vou procurar fazer com que elas se orgulhem do voto que me deram.
Mais importante, quero que a vida delas melhore de verdade — afirmou.”
- Estadão · Reportagem
Brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet é eleito deputado nos EUA: ‘Minha história é o sonho americano’
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“O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet , de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos , nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira, 3.
Nascido no Rio de Janeiro, ele venceu a disputa pelo Distrito 42, na região de Orlando, pelo Partido Democrata.
Com a vitória, se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira no Legislativo estadual da Flórida.
Em uma publicação nas redes sociais após o resultado, Felipe comemorou a eleição e relembrou sua trajetória como imigrante.
Ele chegou aos Estados Unidos há 25 anos, ainda adolescente, com 14 anos, e passou cerca de 15 anos sem documentação migratória.
“Minha história é o sonho americano.
Cheguei aqui sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o privilégio incrível de lutar pelos meus amigos e vizinhos como representante eleito”, escreveu.
Felipe foi beneficiado pelo programa Daca (Ação Diferida para Chegadas na Infância), criado em 2012 durante o governo do então presidente Barack Obama .”
- Revista Fórum · Reportagem
Vitória de Lula inspira progressistas nos EUA, diz brasileiro eleito deputado na Flórida
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“Felipe Sousa-Lazaballet, brasileiro de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as midterms, com votação encerrada na terça-feira (3).
Natural de Duque de Caxias (RJ), ele venceu a republicana Bonnie Jackson com cerca de 63% dos votos na região metropolitana de Orlando, e declarou à TV Globo que a reeleição de Lula deu "nova esperança" a progressistas estadunidenses ao mostrar que é possível derrotar a direita pelas urnas.
LEIA TAMBÉM: Quem são os sete brasileiros eleitos nos EUA - Revista Fórum Brasileiro eleito na Flórida destaca impacto da vitória de Lula Em entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (4), Felipe Sousa-Lazaballet avaliou que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026 teve repercussão além das fronteiras brasileiras.
Segundo ele, a mobilização dos eleitores no segundo turno, realizado em 25 de outubro, demonstrou na prática o que movimentos progressistas ao redor do mundo precisam ouvir.
"Os brasileiros mostraram para o mundo inteiro que é possível vencer contra a direita através de sair e votar.
E essa nova esperança chegou nos corações de vários progressistas pelo mundo inteiro, inclusive aqui", afirmou.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, e a abstenção no segundo turno caiu para 19,21%, a menor taxa desde 2006.
Para Felipe, esses números são argumento político para quem ainda duvida que a participação popular pode virar o jogo.
Trajetória A eleição de Felipe concentra três feitos inédito.
Ele é o primeiro brasileiro eleito para a Assembleia Legislativa da Flórida, o primeiro imigrante abertamente gay eleito para o Legislativo estadual do estado e o primeiro ex-beneficiário do DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), um programa lancado pelo governo Obama para regularizar a situação de jovens imigrantes, a integrar um Legislativo estadual nos Estados Unidos.
A trajetória que o levou até ali começou em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Filho de uma empregada doméstica cearense, mãe solo, Felipe chegou aos EUA em 2001, aos 14 anos, trazido pela irmã mais velha que havia emigrado para a Flórida seis anos antes.
Viajou com visto de turista e viveu cerca de 15 anos em situação migratória irregular antes de ser amparado pelo DACA.
Obteve o green card em 2020 e a cidadania estadunidense em 2021.
Foi justamente essa experiência que o empurrou para a política.
Envolvido com o movimento dreamer desde 2006, Felipe construiu sua plataforma em torno das questões que marcaram sua própria vida: custo de vida, moradia acessível, educação pública e acesso à saúde.
Durante a campanha, a adversária republicana Bonnie Jackson chegou a atacá-lo por sua condição de imigrante.
Entre os eleitores, a estratégia não funcionou.”
- g1 · Reportagem
De casa sem janela em Duque de Caxias à Assembleia da Flórida: a trajetória do carioca eleito deputado nos EUA
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“Felipe Sousa-Lazaballet é o primeiro brasileiro eleito para a Assembleia Legislativa da Flórida A casa onde Felipe Sousa-Lazaballet passou a infância, em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, não tinha sequer janelas.
Quando chovia, a família colocava plástico para impedir a entrada da água.
Quase três décadas depois, o carioca de 40 anos foi eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos, pelo Partido Democrata.
Felipe será o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado.
Ele venceu a republicana Bonnie Jackson em uma região considerada reduto de apoiadores do presidente Donald Trump.
Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, é o primeiro brasileiro eleito para a Assembleia Legislativa da Flórida Acervo pessoal Nascido no Rio de Janeiro, em 1986, Felipe cresceu em uma família humilde.
Filho de uma cearense, ele conta que a mãe trabalhava em até três empregos para sustentar os filhos.
“Eu cresci numa família muito humilde.
A”
- Jovem Pan · Reportagem
Brasileiro conquista vaga no Legislativo da Flórida após vitória nas eleições dos EUA
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“Marcelo Bamonte
O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida , nos Estados Unidos, pelo Partido Democrata.
Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele derrotou a republicana Bonnie Jackson nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), e se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa do estado.
A eleição também representa outros dois marcos: Sousa-Lazaballet será o primeiro imigrante abertamente gay a integrar o Legislativo estadual da Flórida e o primeiro ex-beneficiário do programa DACA a ocupar uma cadeira em uma legislatura estadual americana.
Criado durante o governo de Barack Obama, o DACA oferecia proteção temporária contra a deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças.
Sousa-Lazaballet foi beneficiado pelo programa antes de obter a residência permanente e, posteriormente, a cidadania americana.
Filho de uma empregada doméstica cearense que o criou sozinha, Sousa-Lazaballet deixou o Brasil aos 14 anos.
Nos Estados Unidos, passou aproximadamente 15 anos em situação migratória irregular antes de conseguir regularizar sua permanência.
Aos 26 anos, recebeu autorização para trabalhar por meio do DACA.
Posteriormente, obteve o green card por meio de uma petição familiar.
Em 2020, casou-se com Luis Sousa-Lazaballet e, no ano seguinte, naturalizou-se cidadão americano .
Sua experiência como imigrante o levou a participar de organizações voltadas à defesa dos direitos migratórios e da comunidade LGBTQ+.
Antes de disputar uma vaga no Legislativo, também trabalhou durante cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer.
Em entrevista ao g1, Sousa-Lazaballet relatou ter sido alvo de críticas da adversária republicana por sua origem estrangeira e pelo tempo de residência na Flórida.
Segundo ele, porém, sua trajetória encontrou receptividade entre os eleitores.
“Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais.
Foi justamente por causa desse processo tão difícil, de ser uma pessoa imigrante nesse país, que eu me envolvi com a política.
Para ajudar as pessoas e buscar mudanças sociais.
Minha história de superação indica que eu sei o que é sofrer e ter que lutar pelo sonho americano”.
Na campanha eleitoral, o democrata concentrou suas propostas em questões econômicas e sociais.
Entre as prioridades apresentadas estão a redução do custo de vida e a ampliação da oferta de moradias acessíveis , duas demandas de sua plataforma política.
Sousa-Lazaballet também defendeu o fortalecimento do financiamento das escolas públicas e medidas para melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.”
- Brasil de Fato · Reportagem
Ativista LGBT e imigrante: quem é o brasileiro eleito deputado estadual na Flórida (EUA)
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“O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual no distrito 42 da Flórida, nos Estados Unidos, pelo Partido Democrata, na eleição de meio de mandato do país, nesta terça-feira (3).
Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele se tornou o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do […] Fonte”
- Poder360 · Reportagem
Brasileiro é eleito deputado estadual na Flórida
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“Felipe Sousa-Lazaballet, nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata.
A votação das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, se encerrou na 3ª feira (3.nov.2026).
A eleição marca 3 estreias: Lazaballet se torna o 1º brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Flórida, o 1º imigrante abertamente gay a conquistar uma vaga na legislatura estadual e o 1º ex-beneficiário do programa DACA a integrar o Legislativo estadual norte-americano. [shortcode-newsletter] O DACA foi criado durante o governo Barack Obama para proteger temporariamente da deportação imigrantes que haviam entrado nos Estados Unidos antes dos 16 anos e tinham até 31 anos na época.
Os beneficiários também recebiam autorização para trabalhar legalmente no país.
Lazaballet, de 40 anos, derrotou a republicana Bonnie Jackson para conquistar a vaga.
Trajetória de imigrante Filho de mãe solo, uma empregada doméstica nascida no Ceará, Lazaballet chegou aos Estados Unidos aos 14 anos.
Passou cerca de 15 anos em situação migratória irregular no país.
Aos 26 anos, pelo DACA, obteve permissão para trabalhar legalmente.
A cidadania americana veio em 2021.
Antes disso, em 2020, quando se casou com Luis Sousa-Lazaballet, já tinha o green card, conseguido por meio de uma petição familiar.
Antes de entrar para a política eleitoral, o brasileiro atuou como ativista em organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+.
Também trabalhou por 5 anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer.
Durante a campanha, a adversária republicana o atacou por ser imigrante e por estar há apenas 10 anos na Flórida.
Entre os eleitores, porém, Lazaballet avaliou que sua trajetória era recebida de forma positiva.
Propostas para a Flórida Entre as prioridades que levaram à campanha, estão 4 eixos centrais: Enfrentar o aumento do custo de vida; Ampliar a oferta de moradias acessíveis; Fortalecer o financiamento das escolas públicas; Melhorar o acesso aos serviços de saúde.”
- ICL Notícias · Reportagem
Brasileiro de Duque de Caxias é eleito deputado estadual na Flórida
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“O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet , de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos, pelo Partido Democrata.
Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense , ele se tornou o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado e também o primeiro imigrante abertamente gay a integrar o órgão.
Felipe venceu a republicana Bonnie Jackson nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na terça-feira (3).
Ele também será o primeiro ex-beneficiário do programa DACA a integrar o Legislativo estadual americano.
A iniciativa, criada durante o governo Barack Obama, oferece proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes que chegaram ao país ainda crianças.
Entre suas principais propostas estão o enfrentamento do aumento do custo de vida, a ampliação de moradias acessíveis, o fortalecimento das escolas públicas e a melhoria do acesso à saúde.
Filho de uma empregada doméstica cearense e criado por mãe solo, Felipe chegou aos Estados Unidos aos 14 anos.
Após viver cerca de 15 anos em situação migratória irregular, conseguiu autorização para trabalhar por meio do DACA, aos 26 anos.
Em 2021, conquistou a cidadania americana.
Ativista pelos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+, ele também trabalhou durante cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer.
Em entrevista ao g1, Felipe afirmou que foi alvo de ataques da adversária republicana por ser imigrante.
Apesar disso, disse que sua trajetória é vista positivamente por parte dos eleitores.
“Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais”, afirmou.
Segundo ele, as dificuldades enfrentadas como imigrante foram decisivas para seu envolvimento na política e na luta por mudanças sociais.”
- Diário do Centro do Mundo · Reportagem
O brasileiro eleito pela primeira vez como deputado na Flórida
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“O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata e se tornará o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado.
Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele venceu a republicana Bonnie Jackson nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
A votação terminou na última terça-feira (3).
Com o resultado, Lazaballet também se torna o primeiro imigrante abertamente gay a conquistar uma vaga na legislatura estadual da Flórida.
O deputado eleito é o primeiro ex-beneficiário do DACA a integrar um Legislativo estadual nos EUA.
Criado no governo Barack Obama, o programa oferecia proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho a jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos antes dos 16 anos.
Lazaballet chegou aos Estados Unidos aos 14 anos, com a mãe, uma empregada doméstica natural do Ceará.
Ele viveu cerca de 15 anos em situação migratória irregular e, aos 26 anos, obteve autorização para trabalhar por meio do DACA.
There are no words to communicate the honor and gratitude I feel tonight.
My story is the American Dream - I came here undocumented, with nothing to my name, and now, I will have the incredible privilege to fight for my friends and neighbors as an elected leader.
I know that together, we can build a state where each of us has the opportunity to thrive.
Thank you for trusting me to serve as your representative. — Felipe Sousa Lazaballet (@FelipeForFL) November 4, 2026 Trajetória migratória e propostas para a Flórida Em 2020, Felipe se casou com Luis Sousa-Lazaballet, quando já possuía o green card obtido por uma petição familiar.
No ano seguinte, ele se naturalizou cidadão estadunidense.
Antes de disputar o cargo, o democrata atuou em organizações de defesa dos direitos de imigrantes e da comunidade LGBTQIA+.
Ele também trabalhou durante cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer.
Na campanha, Lazaballet apresentou propostas para enfrentar o aumento do custo de vida, ampliar a oferta de moradias acessíveis, reforçar o financiamento das escolas públicas e melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.
Em entrevista ao g1, ele relatou ataques da adversária republicana por ser imigrante e estar havia dez anos na Flórida.
“Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais”, disse.
“Minha história de superação indica que eu sei o que é sofrer e ter que lutar pelo sonho americano”. https://www.youtube.com/live/kaNAZ_hORUw?
si=65RLxAzM3eOzswZ4”
- Metrópoles · Reportagem
Brasileiro é eleito deputado estadual na Flórida
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“O democrata Felipe Sousa Lazaballet, de 40 anos, se tornou o primeiro brasileiro a ser eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos.
De Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Felipe viveu por anos em situação irregular nos Estados Unidos após imigrar ainda na adolescência.Com o resultado, Felipe também se tornou o primeiro imigrante abertamente gay a conseguir o cargo no estado.
“Minha história é o Sonho Americano – eu vim para cá sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o incrível privilégio de lutar pelos meus amigos e vizinhos como um líder eleito”, celebrou pelas redes sociais.
Leia também MundoEUA elege primeiro senador declaradamente gay do país MundoEUA elege primeira governadora negra de sua história MundoTrump diz que aceitará derrota nas eleições, mas posta imagem de “veto” MundoPastor Adam Hamilton é o 1º democrata eleito senador pelo Kansas em 94 anos Felipe foi beneficiário do programa federal DACA, criado durante o governo de Barack Obama.
O programa oferecia proteção contra a deportação para imigrantes que foram para os Estados Unidos antes de completarem 16 anos e dava uma autorização para trabalho.Em 2021, ele se naturalizou norte-americano.”
- UOL · Reportagem
Felipe Sousa-Lazaballet se torna o primeiro brasileiro eleito para o Legislativo da Flórida
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“Democrata que viveu 15 anos sem documentos nos Estados Unidos venceu disputa pelo Distrito 42, na região de Orlando, onde vive uma das maiores comunidades brasileiras do país.
Pelo menos sete candidatos de origem brasileira disputaram vagas no Congresso; cinco já tiveram vitória confirmada.
Luciana Rosa , correspondente da RFI em Nova York
O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, do Partido Democrata, anunciou nesta terça-feira (3) sua vitória na eleição para a Câmara dos Representantes da Flórida, pelo Distrito 42, que abrange parte da região de Orlando, no centro do estado.
Ele se torna o primeiro brasileiro eleito para o Legislativo estadual da Flórida.
Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Felipe chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e viveu durante 15 anos sem documentação migratória.
Agora, celebra a conquista de uma cadeira no Parlamento estadual.
"Minha história é o sonho americano.
Cheguei aqui sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o incrível privilégio de lutar pelos meus amigos e vizinhos como representante eleito", escreveu nas redes sociais.
A vitória ocorre em uma região com forte presença brasileira.
Segundo estimativas do Itamaraty referentes a 2025, cerca de 220 mil brasileiros vivem na área atendida pelo Consulado-Geral do Brasil em Orlando, que abrange diferentes localidades do centro e norte da Flórida.
Já os dados do Censo americano estimam aproximadamente 39,6 mil moradores nascidos no Brasil na região metropolitana de Orlando, que inclui Kissimmee e Sanford.
O Distrito 42, pelo qual Felipe foi eleito, compreende parte do Condado de Orange, na região metropolitana de Orlando.
A presença de brasileiros nessa área é um dos elementos que dão destaque à eleição, embora o distrito também reúna eleitores de diversas outras origens.
Felipe está entre pelo menos sete candidatos de origem brasileira identificados em um levantamento da TV Connect USA que disputaram vagas em assembleias legislativas de quatro estados americanos nas eleições de meio de mandato.
Todos concorreram pelo Partido Democrata.
Em Massachusetts, Priscila Sousa, Rita Mendes e Danillo Sena foram reeleitos para a Câmara estadual.
Os três garantiram novos mandatos em seus respectivos distritos.
Em Connecticut, Farley Santos também conquistou a reeleição para um terceiro mandato como deputado estadual pelo Distrito 109, derrotando o republicano Ed Vachovetz.
Outros dois brasileiros identificados no levantamento disputaram as eleições: Lorena Betts, em Massachusetts, e Elaine Marzola, em Nevada.
Os resultados finais dessas duas candidaturas ainda precisam ser confirmados.
Durante a campanha, Felipe defendeu a ampliação das oportunidades econômicas, a inclusão e a melhoria das condições de vida das famílias da Flórida.
"Não há palavras para expressar a honra e a gratidão que sinto esta noite", afirmou Felipe, ao agradecer a confiança dos eleitores e prometer trabalhar pela construção de um estado onde todos tenham oportunidades de prosperar.
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Quem é o brasileiro eleito na Flórida que critica Flávio Bolsonaro e se inspira em Erika Hilton
Trecho consultado na análise
“Felipe Sousa-Lazaballet, 40 anos, gargalhou quando soube que virou meme por ser de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos , ele será o primeiro brasileiro a integrar o legislativo do Estado.
"Imigrante eleito, eu acredito.
Agora, de Duque de Caxias?", brincavam os memes.
Nas eleições de terça-feira (3/11), Sousa-Lazaballet venceu a disputa pelo Distrito 42, na região metropolitana de Orlando, em um Estado de maioria republicana, e integra um grupo de sete brasileiros, todos democratas, eleitos deputados estaduais em três Estados americanos.
Ele foi a preferência de 49.752 eleitores, o equivalente a 62,41% dos votos.
Filho de uma empregada doméstica cearense, o democrata saiu do Brasil aos 14 anos e viveu mais de uma década sem documentos nos EUA , período em que relata ter tido várias portas fechadas por conta de sua situação irregular.
Foi somente em 2021 que conseguiu obter a cidadania americana, quando pôde atuar na política institucional.
Antes disso, participou da marcha que saiu a pé da Flórida até Washington, em 2010, para pedir a legalização dos chamados dreamers , imigrantes levados aos EUA ainda crianças.
Foi depois dessa mobilização, aos 26 anos, que ele teve permissão para trabalhar.
Ele cumpria os critérios do DACA, um programa federal criado durante o governo de Barack Obama para oferecer proteção temporária contra a deportação de imigrantes de até 31 anos e que haviam entrado nos EUA antes dos 16.
O deputado estadual eleito critica fortemente a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
Segundo ele, escolas públicas do condado de Orange perderam milhares de alunos, filhos de imigrantes, por deportações ou medo.
Ele também criticou o abrigo dado pelo governo americano ao candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro (PL), na Flórida .
O senador está no país desde 28 de outubro.
"Não faz sentido nenhum para mim aceitar um político fugido do Brasil", diz.
"Os EUA não deveriam interferir e, enquanto isso, estão deportando empregada doméstica que nunca cometeu nenhum crime."
Para o deputado eleito, os brasileiros que chegam a cargos públicos nos EUA podem ser "uma ponte econômica, social e cultural" entre os dois países, cujas relações se tornaram tensas entre o governo Trump e o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na Assembleia da Flórida, o democrata diz que vai levar uma pauta focada na "melhoria da vida das pessoas" que moram no Estado, batizada de Prosperando Juntos.
BBC News Brasil – Você vai ser o primeiro deputado estadual brasileiro na Flórida e o primeiro imigrante que se declara gay também no cargo.
Felipe Sousa-Lazaballet – Eu saí do Brasil quando eu tinha 14 anos de idade.
E, quando cheguei aqui, fui indocumentado por 15 anos na minha vida.
E eu acho que esse é o tipo de representação que eu vou levar para Tallahassee [cidade do Norte do Estado de Flórida]: uma pauta focada na melhoria da vida das pessoas que estão morando aqui, por meio da saúde, da educação pública, de moradias que sejam justas e baratas, e a proteção aos direitos civis e ao nosso meio ambiente.
Sousa-Lazaballet – Eu cresci em Santa Cruz da Serra [bairro de Duque de Caxias], não é um lugar onde tem muitas oportunidades, principalmente na época em que eu morava no Brasil.
Eu, sinceramente, nunca pensei em ser político ou me candidatar, justamente porque foi somente em 2021 que consegui a cidadania americana.
Então não era uma coisa que estava na minha cabeça, mas, ao mesmo tempo, a luta pela justiça social é uma coisa que eu já tenho feito há 20 anos.
Quem diria que o menino que cresceu em Duque de Caxias um dia ia se tornar um deputado estadual aqui na Flórida, fazendo história.
E existe um outro grupo de pessoas que está dizendo: "Não, nós todos somos americanos."
Nossa campanha tocou 42 mil portas, e eu ia me apresentando.
E, ao mesmo tempo, no contexto da Flórida, existiram várias leis contra a comunidade LGBT.
Aqui na Flórida teve até um processo em que certos monumentos com arco-íris tiveram que ser trocados.
Como deputado estadual, o que você poderia fazer de concreto, já que a imigração é um tema federal?
Sousa-Lazaballet – Aqui na Flórida, infelizmente, somos o Estado que deporta mais pessoas no país inteiro, e a razão principal foi por causa de uma lei estadual que passou em 2025, que praticamente obriga o corpo da polícia, os governos municipais, a trabalhar com o ICE.
Esses são impactos gigantescos num contexto nacional, mas, ao mesmo tempo, que estão tendo um impacto desproporcional aqui na Flórida por causa dessas leis que são estaduais, passadas aqui.
O assunto da imigração deveria ser só tratado pelo governo federal, mas vários Estados, inclusive a Flórida, estão tomando essa atitude anti-imigrante que está causando cada vez mais dano, não somente à comunidade imigrante, mas, sinceramente, a todos.
Porque, por exemplo, quando tem uma tempestade e o teto cai, o que acontece muito na Flórida, por causa dos furacões, não tem mão de obra que vá reconstruir essas casas.
Ou seja, está se criando não só um problema para os imigrantes, mas também para as pessoas que são a favor dos imigrantes, mas até mesmo para a pessoa que está somente vivendo a vida dela.
O Brasil é um dos grandes exportadores para a Flórida, e a Flórida exporta muita coisa para o Brasil.
Por exemplo, a Erika Hilton [deputada pelo PSOL em SP].
Eu acho incrível a maneira como ela consegue trazer uma pauta de representação, mas, ao mesmo tempo, uma pauta que é focada na classe trabalhadora.
BBC News Brasil – A Flórida também tem sido um destino frequente de políticos e apoiadores da direita brasileira como Flávio Bolsonaro e outros aliados da família Bolsonaro.
O que você acha dessa articulação política que eles fazem a partir da Flórida?
Sousa-Lazaballet – Minha opinião é simples: o Brasil é um país soberano, a justiça brasileira deve ser respeitada, e não faz sentido nenhum para mim aceitar um político fugido do Brasil aqui.
BBC News Brasil – Segundo dados do TSE, a maioria do eleitorado brasileiro na Flórida está mais identificada com a direita.
Como é a sua relação com a comunidade brasileira na Flórida, que pode ser mais conservadora?
Sousa-Lazaballet – Eu trabalho com quem quer trabalhar comigo, porque é o que eu sempre digo: se eu não concordo com você em 80% das coisas, mas concordo em 20%, vamos trabalhar nesses 20%.”