VerdadeiroPeña anunciou e apresentou sua renúncia em 5 de novembro, em meio à crise bancária.
Esquerda Centro DireitaConexão Política, Agência Brasil, UOL
Reportagens dos três grupos registram o anúncio ou a apresentação da renúncia em 5 de novembro e a situam no contexto da crise bancária.
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- Conexão Política · Reportagem
Presidente do Paraguai renuncia ao cargo após crise bancária
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“Vice de Santiago Peña, Pedro Alliana, deve assumir o cargo.
Decisão ocorre após escalada dos problemas envolvendo a liquidação do Ueno Bank.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta (5) sua renúncia ao cargo, após a pressão política provocada por uma crise no sistema bancário do país.
Ele enfrentava um processo de impeachment que havia conquistado apoio de partidos da oposição e também de integrantes de sua própria base.
Em pronunciamento divulgado no Instagram, Peña afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade nacional e evitar novos conflitos políticos.
O presidente também pediu desculpas à população e disse que a situação dos paraguaios que mantêm dinheiro no sistema financeiro se tornou sua principal preocupação.
O vice, Pedro Alliana, deve assumir o cargo.
“Tenho a convicção de que nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, declarou.
Ao justificar a saída, afirmou que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai e manifestou o desejo de que os recursos dos clientes sejam devolvidos e os fundos públicos protegidos.
A crise ganhou força após o banco digital Ueno fechar as portas, deixando milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
Peña, que também é economista, foi acionista do grupo controlador da instituição até março do ano passado.
O banco reunia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, entre eles recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários.
Também questiona a atuação do Banco Central paraguaio, que supostamente teria encoberto irregularidades envolvendo a instituição financeira.
O governo nega as acusações.
A pressão sobre Peña aumentou quando o Congresso iniciou uma sessão extraordinária para discutir o impeachment.
Todas as bancadas da Câmara dos Deputados haviam anunciado apoio ao afastamento.
Além disso, antigos aliados do presidente retiraram seu apoio e passaram a defender publicamente sua renúncia.
A articulação pelo impeachment ganhou força depois que Basilio Nuñez, presidente do Congresso, e Horacio Cartes, líder do Partido Colorado, deixaram de apoiar Peña.
A perda de sustentação política dentro do próprio grupo governista ampliou o isolamento do presidente em meio à crise.
Em sua declaração de renúncia, Peña também ressaltou a importância de preservar as instituições democráticas e afirmou confiar na capacidade do país de superar o momento de instabilidade.
“O Paraguai está acima de nossas diferenças”, disse ele ao encerrar o pronunciamento.
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- Agência Brasil · Reportagem
Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise bancária; vice assume
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“Enquanto a Câmara dos Deputados do Paraguai discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, nesta quinta-feira (5), o mandatário do país, Santiago Peña, anunciou a renúncia ao cargo, em meio a uma crise financeira causada pela intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank.
Abandonado pelo próprio partido, que passou a cobrar sua renúncia, Peña justificou a decisão em nome da estabilidade do país e da necessidade de “preservar nossas instituições”.
O vice-presidente Pedro Allana assumirá o cargo.
“Me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, disse o presidente, em pronunciamento nas redes sociais.
Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República”, acrescentou.
Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o processo de impeachment contra Peña.
Agora, o Senado deve decidir se o processo de destituição continua ou se perde efeito em função da renúncia.
A continuidade do processo é importante porque, no Paraguai, todo ex-presidente tem direito ao cargo de senador vitalício, com direito a voz no Parlamento, mas não a voto.
A crise financeira que sacudiu o Paraguai começou na terça-feira (3) e se transformou em crise política.
Após a liquidação do banco, o presidente do BC paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo .
Protestos de rua cobram que os responsáveis pela crise sejam punidos.
O Ministério Público do Paraguai pediu a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale.
A crise atingiu o presidente Santiago Peña porque ele foi acionista, até março de 2025, do Grupo Vázquez, que controla o banco.
Eleito em 2023, o Santiago Peña é um político da direita conservadora do Partido Colorado que há sete décadas controla o poder no Paraguai, exceto por cinco anos (2008-2013).
A oposição responsabiliza Peña pela crise por ele ter nomeado para presidente do BC um ex-dirigente do Ueno.
Ao anunciar a renúncia, o presidente pediu desculpas ao povo paraguaio.
“Também quero pedir desculpas ao povo, caso em algum momento eu tenha falhado.
A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai”, afirmou Peña.
O presidente do Partido Colorado e ex-presidente do país, Horácio Cartes, afirmou que a legenda não estará ao lado “do latrocínio de fundos públicos, privados e dos aposentados”.
O presidente do Congresso paraguaio, Bachi Nunéz, dois dias antes de pedir a renúncia de Peña, avaliava à imprensa que o presidente não poderia ser responsabilizado porque o Banco Central tinha autonomia institucional.
A deputada do Partido País Solidário (PPS), Johanna Ortega, destacou, durante a sessão da Câmara, que os recursos dos aposentados estavam sendo depositados em um banco próximo ao presidente Peña.
“Temos alertado sobre conflitos de interesses, sobre a utilização de instituições públicas para favorecer negócios privados de uns poucos, e sobre o crime de gestão em proveito próprio — prática na qual este Presidente da República tem incorrido sistematicamente”, afirmou.
O Paraguai conta com um fundo garantidor que pode reembolsar até US$ 38 mil por pessoa, o que representa ₲ 228.300.000 na moeda local, o equivalente a 75 salários-mínimos.
A crise financeira e política do Paraguai abala a reputação que o país vinha construindo de destino emergente da América do Sul para o capital estrangeiro, com repercussões sobre a economia local.
“Ocorrerá, sem dúvida, uma semiparalisação do mercado comercial no Paraguai.
Essa situação não nos afeta apenas no âmbito comercial; ela impacta também o cotidiano das famílias, afetando, assim, a vida diária de milhões de pessoas”, disse o comunicado publicado na mídia local.
Ainda que o BCP indicou que 97% dos depositantes estariam completamente cobertos, somente 30% dos depósitos do Ueno se encontravam dentro dos limites da garantia”, afirmou a agência Bloomberg Línea, com base na nota do Moody’s.”
- UOL · Reportagem
Presidente do Paraguai renuncia: entenda crise econômica no país
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“O presidente do Paraguai, Santiago Peña , renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5 de novembro, diante da crise bancária na qual o país passa esta semana.
O contexto de crise se instaurou após a intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank que passou por liquidação.
Esse processo é realizado quando uma instituição financeira apresenta problemas graves para continuar no mercado.
Ao todo, o Ueno tinha cerca de 2,9 milhões de correntistas, o que representa 60% da população adulta do país.
Essas pessoas tiveram seus depositos congelados.
A população paraguaia foi para as ruas em protestos que cobram que os responsáveis sejam punidos.
O Ministério Público do Paraguai solicitou a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do banco Ueno, Juan Manuel Gustale.
Veja também: Conheça chefes de estado que já renunciaram no Brasil
Segundo a professora de Geografia Paloma Guitarrara, o Paraguai vinha de um período de crescimento econômico.
Nos últimos anos, o país vizinho do Brasil chegou a crescer quase 6% ao ano.
Internamente, o país passou por queda de desemprego, melhora no crédito e maior atração de investimento.
Para a educadora, ninguém previa que a economia "iria desmoronar da noite para o dia como aconteceu".
Ela explica que a situação da liquidação do Ueno impactou de forma intensa o país por justamente atingir boa parte da população.
Havia uma dependência forte e única da instituição, o que agravou o cenário de crise.
Além disso, o banco era o principal emissor de cartão de crédito entre os paraguaios.
Com as contas bloqueadas, as pessoas não conseguem sacar o dinheiro, o que provocou tumulto e aglomerações nas agências pelo país.
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Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou ao cargo hoje (5), foi acionista no Ueno Bank até março de 2025, pelo Grupo Vázques, que controla o banco.
Penã foi eleito em 2023 e faz parte de uma ala da política de direita conservadadora do Partido Colorado que controla o poder no Paraguai há décadas.
Veja também : Qual a diferença de direita e esquerda?
Paloma destaca que a partir desta crise no Paraguai, é possível entender como ocorrem algumas relações territoriais, políticas e econômicas na América Latina, especialmente, com a linha tênue que se tem entre esfera política, pública e privada.
A professora destaca a forte influência do mercado financeiro sobre as decisões do Estado paraguaio.
Ao recorrer ao conceito de “Mercado”, do geógrafo Milton Santos, ela explica que instituições financeiras privadas podem interferir diretamente nos assuntos estatais.
Na visão de Paloma, o caso do Paraguai enaltece uma relação de codependência entre o setor privado e o poder público.
Ela aponta que o Ueno Bank passou a exercer influência sobre assuntos de Estado, enquanto o governo de Santiago Peña teria atendido a interesses da instituição.
Peña fazia parte do quadro de acionistas do banco enquanto ocupava a Presidência, o que evidencia, em sua análise, a aproximação entre interesses privados e decisões governamentais.
Por lá, o Estado auxiliou a atuação do banco no território.
Com a crise, a população, que é muito dependende do banco, é prejudicada economicamente.
A especialista reforça que pela situação inédita no país, não é possível prever de que forma haverá um aprofundamento das desigualdades socioeconômicas no Paraguai.
Confira também : O que é desigualdade social no Brasil, quais são as principais causas e consequências?”
Encontrou um erro?VerdadeiroA Câmara aprovou a abertura do impeachment contra Peña, com 78 votos favoráveis.
Esquerda Centro DireitaMetrópoles, Diário do Centro do Mundo, Poder360, O Antagonista
Metrópoles, Diário do Centro do Mundo, Poder360 e O Antagonista registram a aprovação pela Câmara; Diário do Centro do Mundo e Poder360 informam 78 votos.
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VerdadeiroO Senado iniciou o julgamento do impeachment na noite de 5 de novembro e marcou a retomada para sexta-feira, às 10h.
Esquerda CentroMetrópoles, Diário do Centro do Mundo, Brasil de Fato
Metrópoles informa o início às 19h45 e a retomada às 10h; Diário do Centro do Mundo e Brasil de Fato também registram a sessão e a previsão para sexta-feira.
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VerdadeiroA sessão conjunta que analisava a renúncia foi suspensa após governistas deixarem o plenário e faltar quórum.
Esquerda DireitaJovem Pan, O Antagonista, ICL Notícias
Jovem Pan, O Antagonista e ICL Notícias relatam a saída de parlamentares governistas, a falta de quórum e a suspensão da sessão.
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VerdadeiroA crise do Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso imediato a depósitos ou contas.
Esquerda Centro DireitaRevista Fórum, CNN Brasil, Jovem Pan
As reportagens dos três grupos relatam impacto sobre milhões de clientes; Revista Fórum e CNN Brasil especificam a dificuldade de acesso a depósitos ou contas.
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VerdadeiroPeña foi acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025.
Esquerda Centro DireitaMetrópoles, Gazeta do Povo, CartaCapital
Metrópoles, Gazeta do Povo e CartaCapital informam que Peña manteve participação acionária até março de 2025.
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