VerdadeiroO endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda anual em agosto.
Centro DireitaO Globo, Gazeta do Povo, Metrópoles
O dado aparece em reportagens dos veículos de centro e direita, que o atribuem ao Banco Central.
Ver fontes e trechos (3)
- O Globo · Reportagem
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias
Trecho consultado na análise
“O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 50,1% da renda anual em agosto, segundo relatório do Banco Central (BC) divulgado ontem.
É o maior nível registrado na série histórica do BC, no dado que inclui financiamento imobiliário.
Mansueto Almeida: Sem plano de controle do gasto público, ciclo de corte de juros acaba este ano Empreendedorismo: Pix MEI de até R$ 5 mil poderá ser pedido por app a partir de 2027, diz ministro
Isso significa que mais da metade de tudo o que as famílias ganham ao longo de um ano já corresponde a dívidas, como financiamentos, empréstimos pessoais, crédito consignado e uso do cartão de crédito.
O cálculo inclui todas as obrigações das famílias junto aos bancos e faz parte da pesquisa Estatísticas Monetárias e de Crédito, do BC.
Sem incluir financiamento imobiliário, o endividamento é de 31% da renda.
O BC também informou que a inadimplência (atraso superior a 90 dias no pagamento de qualquer parcela) das pessoas atingiu 8,1% em agosto, renovando recorde.
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Com o avanço do endividamento, o comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas continuou subindo em agosto e alcançou um novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011.
O indicador que mede o percentual do orçamento mensal que é usado para pagar as parcelas das dívidas subiu de 28,8% para 29%.
O endividamento das famílias tem sido um dos principais desafios econômicos do terceiro mandato de Lula e deve continuar no centro das preocupações do próximo governo.
Apesar dos programas de renegociação de dívidas lançados pela atual gestão, o comprometimento da renda dos brasileiros com empréstimos e financiamentos voltou a crescer.
Aumento de juros
O nível de endividamento das famílias chegou a cair no início do terceiro governo, até dezembro de 2023, primeiro ano do mandato, quando ficou em 47,7%.
Naquele ano, o governo lançou em julho o Desenrola, programa para renegociação de dívidas, que vigorou até maio do ano seguinte.
Margem Equatorial: Petrobras anuncia terceira descoberta de petróleo leve em poço na Bacia da Foz do Amazonas
Mas o endividamento voltou a subir em meio ao novo ciclo de aperto monetário.
A alta da taxa básica de juros, a Selic — iniciada em setembro de 2024 — encareceu o crédito e pressiona o orçamento.
A Selic chegou a 15% ao ano no ponto mais alto da série, e atualmente está em 13,75%.
Em meio ao aperto no bolso das famílias, em maio deste ano o governo lançou uma nova versão do Desenrola, com descontos de até 90% para renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos.
A iniciativa se encerrou no fim de agosto, com mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas renegociadas.
Em setembro, o governo anunciou uma terceira etapa do programa, que prevê a compra de dívidas antigas pela União para facilitar a renegociação com os consumidores.
A expectativa é alcançar até 15 milhões de pessoas, com o início dos novos acordos previsto para fevereiro de 2027.
Estímulo ao consumo
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias.
A pesquisadora associada do FGV Ibre e analista da BRCG Consultoria Katherine Hennings lembra que um conjunto de medidas do governo — como o reajuste do Bolsa Família, o avanço de programas como o Minha Casa, Minha Vida e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — têm ajudado a turbinar o consumo.
Com mais acesso ao crédito, diz a analista, as famílias passaram a consumir ainda mais.
Teto: Governo eleva limite de crédito para estados e municípios pela 3ª vez em dois meses
A consequência desse endividamento, porém, é que uma fatia cada vez maior da renda é destinada ao pagamento de dívidas, muitas delas de curto prazo e sem garantia, o que pressiona o orçamento mesmo antes de entrarem na conta despesas básicas como luz, água e alimentação.
Isso mesmo num cenário de taxa de desemprego nas mínimas históricas.
— Se a economia desacelerar, se as pessoas perderem o emprego ou não tiverem aumento de salário, vai ser mais difícil desalavancar e essas famílias continuarem consumindo.
As pessoas ainda não mudaram o comportamento — observa.
Katherine observa que a queda da Selic ainda não chegou no orçamento familiar.
Segundo o BC, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas foi a 62,4% ao ano em agosto, alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos em 12 meses.
— Os bancos estão cautelosos, até porque a inadimplência subiu muito e há ainda uma imprevisibilidade (sobre as políticas econômicas a serem adotadas) após o resultado das eleições e a insegurança sobre política fiscal — observa. — O crédito está desacelerando, mas é como se o navio continuasse indo para frente.
Você não tem uma grande mudança de rota.
Nível de incerteza
A perspectiva de que o Desenrola 3.0 possa reduzir a inadimplência e o endividamento também levanta dúvidas na visão de Katherine, já que não está claro como o programa será operacionalizado e quais modalidades de dívida serão cobertas.
A nova versão do programa deve permitir que empresas que detêm carteiras de dívidas as vendam com desconto para a União, o que faz o consumidor deixar de dever à empresa privada e passar a dever a um banco público.
— Falta uma campanha de esclarecimento sobre as modalidades de crédito e os riscos de endividamento.
É difícil isso para o governo, mas ele fez agora com a proibição das bets.
Outra medida que pode ajudar a reduzir os juros e, consequentemente, o custo do crédito está ligada à comunicação do governo.
O quarto mandato do presidente Lula precisará dar sinais aos agentes econômicos de que melhorará sua capacidade de pagamento, o que tende a reduzir os juros.
Dependendo de quem comandar a política econômica, diz Katherine, o nível de incerteza também cai.”
- Gazeta do Povo · Reportagem
Endividamento das famílias brasileiras bate novo recorde, alerta Banco Central
Trecho consultado na análise
“O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde e chegou a 50,1% no mês de agosto da renda acumulada em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29).
O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também alcançou o maior patamar da série histórica, chegando a 29%, um sinal da crescente pressão sobre o orçamento dos brasileiros.
Os indicadores mostram que metade da renda anual das famílias está comprometida com dívidas bancárias, enquanto quase um terço é destinado ao pagamento de parcelas e juros.
O cenário é impulsionado pelo custo elevado dos empréstimos e pela expansão de modalidades de crédito mais caras, como cartão de crédito e financiamentos sem garantia.
Mesmo com as duas edições do Desenrola, o programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/lula/] (PT), os indicadores continuam avançando.
As medidas utilizaram garantias do Tesouro Nacional para estimular o refinanciamento de débitos, mas não impediram que o endividamento alcançasse novos recordes.
Durante a campanha eleitoral, Lula prometeu uma terceira edição do Desenrola [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/governo-convoca-bancos-aderir-desenrola-3-0-negociar-90-bilhoes/], com um leilão para que bancos vendam dívidas de consumidores com descontos, facilitando a quitação dos débitos.
O Banco Central, por sua vez, informou que prepara novas medidas para conter a concessão [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/bc-se-adianta-a-lula-e-endurece-regras-de-relacionamento-entre-bancos-e-endividados/] considerada predatória de crédito.
Quando o financiamento imobiliário é retirado do cálculo, o endividamento das famílias também apresenta níveis preocupantes: chegou a 31% da renda em agosto.
Nessa mesma comparação, o comprometimento da renda com o serviço da dívida atingiu 26,7%, igualmente um recorde histórico.
Os dados mais recentes sobre inadimplência mostram que a situação também preocupa no mercado de crédito.
Em setembro, a proporção de pagamentos atrasados no crédito livre, modalidade em que os bancos definem as taxas de juros, permaneceu em 6,6%, repetindo o recorde registrado em agosto.
A inadimplência nesse segmento aumentou um ponto percentual desde o início do ano, considerando famílias e empresas.
Ao mesmo tempo, o estoque total de crédito no país cresceu 0,4% em setembro, na comparação com agosto, alcançando R$ 7,4 trilhões.
Apesar da expansão do volume de empréstimos, o ritmo de crescimento do crédito em 12 meses desacelerou de 9,4% em agosto para 8,6% em setembro.
Já o spread bancário, diferença entre os custos de captação das instituições financeiras e os juros cobrados dos clientes, subiu de 34,7 para 35,5 pontos percentuais no mesmo período.
A política monetária restritiva continua sendo um dos fatores que encarecem o acesso ao crédito no país.
Em setembro, o Banco Central projetou crescimento de 9,1% no estoque de empréstimos em 2026, abaixo da expansão de 10,4% registrada em 2025.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na próxima semana para decidir os rumos da taxa básica de juros, a Selic.
Após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, a taxa chegou a 13,75% ao ano com incertezas para novas quedas.”
- Metrópoles · Reportagem
Endividamento das famílias chegou a 50,1% em agosto, segundo BC
Trecho consultado na análise
“O endividamento das famílias brasileiras alcançou 50,1% em agosto, conforme o relatório Estatísticas Monetárias e de Crédito, do Banco Central (BC), divulgado nesta quinta-feira (29/10).
O documento aponta que, naquele mês, o índice aumentou 0,2 ponto percentual no mês e 1,2 ponto percentual em 12 meses.
Já o comprometimento de renda aumentou 0,2 ponto percentual no mês e 1,4 ponto percentual em 12 meses, situando-se em 29%.
Leia também BrasilBanco Central aprova regras para combater crédito abusivo e endividamento BrasilEndividamento das famílias cai pela primeira vez no ano e fica em 81,7% BrasilEndividamento das famílias chegou a 49,9% em agosto, segundo BC O crescimento do endividamento ocorre mesmo após o lançamento do programa Desenrola Brasil, anunciado no início de maio.
A iniciativa tem o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas e reduzir o volume de contas a pagar da população.Os dados do relatório do BC revelam ainda que a inadimplência referente à carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 5% no mês de setembro.
O resultado representa estabilidade no mês e elevação de 0,9 p.p. em 12 meses.A estabilidade na inadimplência no índice geral no mês foi resultado do recuo de 0,1 p.p. na inadimplência de pessoas jurídicas e de estabilidade nas pessoas físicas.
Os respectivos índices foram de:Pessoas jurídicas: 3,3%;Pessoas físicas: 6%.
Em relação ao crédito com recursos livres, que são negociações de empréstimos e financiamentos cujas taxas são tratadas diretamente entre bancos e clientes, a taxa de inadimplência se manteve em 6,6%.
Desenrola ainda não teve efeitoLançado em maio, o programa de renegociação de dívidas do governo ainda não teve efeitos reais na inadimplência da população.
De acordo com o BC, o nível de endividamento da população não para de crescer, mesmo com o programa vigente.Em setembro, o governo anunciou uma nova modalidade da medida, com a aquisição de pequenas dívidas com atraso entre 2 a 4,5 anos de até R$ 10 mil.
A estimativa da nova medida é de R$ 15 bilhões.De acordo com o BC, o número de pessoas endividadas com risco significativo de não honrar os pagamentos, classificadas como endividadas de “risco”, chegou a 20,3 milhões.
Os dados são do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado na terça-feira (27/10).
Medidas de combate ao endividamentoNa última sexta-feira (23/10), o BC aprovou três novas resoluções que estabelecem regras para a oferta e a contratação de crédito no Brasil.As medidas incluem restrições à publicidade de empréstimos, maior transparência sobre as dívidas dos consumidores e novas exigências para a concessão de crédito durante transações realizadas pelo Pix.
Segundo a autoridade monetária, o objetivo é ampliar a proteção dos consumidores e reduzir os riscos de endividamento excessivo, especialmente entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade financeira.O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia antecipado que o órgão estudava medidas para combater a oferta de crédito abusiva.
O alerta de preocupação foi formalizado na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef).“
Considerando a participação de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias, já destacada como ponto de atenção nas últimas atas do Comef, o Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos decorrentes dessa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”, afirmou.As mudanças serão implementadas ao longo de 2027 e deverão ser cumpridas pelas instituições financeiras.
Entre as principais alterações está a obrigação de disponibilizar ferramentas que permitam aos clientes bloquear ofertas de crédito e consultar informações sobre suas dívidas antes de contratar novos empréstimos.”
Encontrou um erro?VerdadeiroO comprometimento de renda das famílias com dívidas chegou a 29% em agosto, em nível recorde.
Centro DireitaO Globo, Gazeta do Povo, Metrópoles
Os veículos de centro e direita informam o percentual de 29% e o descrevem como recorde.
Ver fontes e trechos (3)
- O Globo · Reportagem
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias
Trecho consultado na análise
“O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 50,1% da renda anual em agosto, segundo relatório do Banco Central (BC) divulgado ontem.
É o maior nível registrado na série histórica do BC, no dado que inclui financiamento imobiliário.
Mansueto Almeida: Sem plano de controle do gasto público, ciclo de corte de juros acaba este ano Empreendedorismo: Pix MEI de até R$ 5 mil poderá ser pedido por app a partir de 2027, diz ministro
Isso significa que mais da metade de tudo o que as famílias ganham ao longo de um ano já corresponde a dívidas, como financiamentos, empréstimos pessoais, crédito consignado e uso do cartão de crédito.
O cálculo inclui todas as obrigações das famílias junto aos bancos e faz parte da pesquisa Estatísticas Monetárias e de Crédito, do BC.
Sem incluir financiamento imobiliário, o endividamento é de 31% da renda.
O BC também informou que a inadimplência (atraso superior a 90 dias no pagamento de qualquer parcela) das pessoas atingiu 8,1% em agosto, renovando recorde.
Advogados, médicos, salões de beleza : veja o que muda com a alíquota de 11,3% da nova CBS
Com o avanço do endividamento, o comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas continuou subindo em agosto e alcançou um novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011.
O indicador que mede o percentual do orçamento mensal que é usado para pagar as parcelas das dívidas subiu de 28,8% para 29%.
O endividamento das famílias tem sido um dos principais desafios econômicos do terceiro mandato de Lula e deve continuar no centro das preocupações do próximo governo.
Apesar dos programas de renegociação de dívidas lançados pela atual gestão, o comprometimento da renda dos brasileiros com empréstimos e financiamentos voltou a crescer.
Aumento de juros
O nível de endividamento das famílias chegou a cair no início do terceiro governo, até dezembro de 2023, primeiro ano do mandato, quando ficou em 47,7%.
Naquele ano, o governo lançou em julho o Desenrola, programa para renegociação de dívidas, que vigorou até maio do ano seguinte.
Margem Equatorial: Petrobras anuncia terceira descoberta de petróleo leve em poço na Bacia da Foz do Amazonas
Mas o endividamento voltou a subir em meio ao novo ciclo de aperto monetário.
A alta da taxa básica de juros, a Selic — iniciada em setembro de 2024 — encareceu o crédito e pressiona o orçamento.
A Selic chegou a 15% ao ano no ponto mais alto da série, e atualmente está em 13,75%.
Em meio ao aperto no bolso das famílias, em maio deste ano o governo lançou uma nova versão do Desenrola, com descontos de até 90% para renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos.
A iniciativa se encerrou no fim de agosto, com mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas renegociadas.
Em setembro, o governo anunciou uma terceira etapa do programa, que prevê a compra de dívidas antigas pela União para facilitar a renegociação com os consumidores.
A expectativa é alcançar até 15 milhões de pessoas, com o início dos novos acordos previsto para fevereiro de 2027.
Estímulo ao consumo
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias.
A pesquisadora associada do FGV Ibre e analista da BRCG Consultoria Katherine Hennings lembra que um conjunto de medidas do governo — como o reajuste do Bolsa Família, o avanço de programas como o Minha Casa, Minha Vida e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — têm ajudado a turbinar o consumo.
Com mais acesso ao crédito, diz a analista, as famílias passaram a consumir ainda mais.
Teto: Governo eleva limite de crédito para estados e municípios pela 3ª vez em dois meses
A consequência desse endividamento, porém, é que uma fatia cada vez maior da renda é destinada ao pagamento de dívidas, muitas delas de curto prazo e sem garantia, o que pressiona o orçamento mesmo antes de entrarem na conta despesas básicas como luz, água e alimentação.
Isso mesmo num cenário de taxa de desemprego nas mínimas históricas.
— Se a economia desacelerar, se as pessoas perderem o emprego ou não tiverem aumento de salário, vai ser mais difícil desalavancar e essas famílias continuarem consumindo.
As pessoas ainda não mudaram o comportamento — observa.
Katherine observa que a queda da Selic ainda não chegou no orçamento familiar.
Segundo o BC, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas foi a 62,4% ao ano em agosto, alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos em 12 meses.
— Os bancos estão cautelosos, até porque a inadimplência subiu muito e há ainda uma imprevisibilidade (sobre as políticas econômicas a serem adotadas) após o resultado das eleições e a insegurança sobre política fiscal — observa. — O crédito está desacelerando, mas é como se o navio continuasse indo para frente.
Você não tem uma grande mudança de rota.
Nível de incerteza
A perspectiva de que o Desenrola 3.0 possa reduzir a inadimplência e o endividamento também levanta dúvidas na visão de Katherine, já que não está claro como o programa será operacionalizado e quais modalidades de dívida serão cobertas.
A nova versão do programa deve permitir que empresas que detêm carteiras de dívidas as vendam com desconto para a União, o que faz o consumidor deixar de dever à empresa privada e passar a dever a um banco público.
— Falta uma campanha de esclarecimento sobre as modalidades de crédito e os riscos de endividamento.
É difícil isso para o governo, mas ele fez agora com a proibição das bets.
Outra medida que pode ajudar a reduzir os juros e, consequentemente, o custo do crédito está ligada à comunicação do governo.
O quarto mandato do presidente Lula precisará dar sinais aos agentes econômicos de que melhorará sua capacidade de pagamento, o que tende a reduzir os juros.
Dependendo de quem comandar a política econômica, diz Katherine, o nível de incerteza também cai.”
VerdadeiroSem incluir o financiamento imobiliário, o endividamento das famílias chegou a 31% da renda em agosto.
Centro DireitaO Globo, Gazeta do Povo
A informação consta em reportagens dos veículos de centro e direita.
Ver fontes e trechos (2)
- O Globo · Reportagem
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias
Trecho consultado na análise
“O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 50,1% da renda anual em agosto, segundo relatório do Banco Central (BC) divulgado ontem.
É o maior nível registrado na série histórica do BC, no dado que inclui financiamento imobiliário.
Mansueto Almeida: Sem plano de controle do gasto público, ciclo de corte de juros acaba este ano Empreendedorismo: Pix MEI de até R$ 5 mil poderá ser pedido por app a partir de 2027, diz ministro
Isso significa que mais da metade de tudo o que as famílias ganham ao longo de um ano já corresponde a dívidas, como financiamentos, empréstimos pessoais, crédito consignado e uso do cartão de crédito.
O cálculo inclui todas as obrigações das famílias junto aos bancos e faz parte da pesquisa Estatísticas Monetárias e de Crédito, do BC.
Sem incluir financiamento imobiliário, o endividamento é de 31% da renda.
O BC também informou que a inadimplência (atraso superior a 90 dias no pagamento de qualquer parcela) das pessoas atingiu 8,1% em agosto, renovando recorde.
Advogados, médicos, salões de beleza : veja o que muda com a alíquota de 11,3% da nova CBS
Com o avanço do endividamento, o comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas continuou subindo em agosto e alcançou um novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011.
O indicador que mede o percentual do orçamento mensal que é usado para pagar as parcelas das dívidas subiu de 28,8% para 29%.
O endividamento das famílias tem sido um dos principais desafios econômicos do terceiro mandato de Lula e deve continuar no centro das preocupações do próximo governo.
Apesar dos programas de renegociação de dívidas lançados pela atual gestão, o comprometimento da renda dos brasileiros com empréstimos e financiamentos voltou a crescer.
Aumento de juros
O nível de endividamento das famílias chegou a cair no início do terceiro governo, até dezembro de 2023, primeiro ano do mandato, quando ficou em 47,7%.
Naquele ano, o governo lançou em julho o Desenrola, programa para renegociação de dívidas, que vigorou até maio do ano seguinte.
Margem Equatorial: Petrobras anuncia terceira descoberta de petróleo leve em poço na Bacia da Foz do Amazonas
Mas o endividamento voltou a subir em meio ao novo ciclo de aperto monetário.
A alta da taxa básica de juros, a Selic — iniciada em setembro de 2024 — encareceu o crédito e pressiona o orçamento.
A Selic chegou a 15% ao ano no ponto mais alto da série, e atualmente está em 13,75%.
Em meio ao aperto no bolso das famílias, em maio deste ano o governo lançou uma nova versão do Desenrola, com descontos de até 90% para renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos.
A iniciativa se encerrou no fim de agosto, com mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas renegociadas.
Em setembro, o governo anunciou uma terceira etapa do programa, que prevê a compra de dívidas antigas pela União para facilitar a renegociação com os consumidores.
A expectativa é alcançar até 15 milhões de pessoas, com o início dos novos acordos previsto para fevereiro de 2027.
Estímulo ao consumo
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias.
A pesquisadora associada do FGV Ibre e analista da BRCG Consultoria Katherine Hennings lembra que um conjunto de medidas do governo — como o reajuste do Bolsa Família, o avanço de programas como o Minha Casa, Minha Vida e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — têm ajudado a turbinar o consumo.
Com mais acesso ao crédito, diz a analista, as famílias passaram a consumir ainda mais.
Teto: Governo eleva limite de crédito para estados e municípios pela 3ª vez em dois meses
A consequência desse endividamento, porém, é que uma fatia cada vez maior da renda é destinada ao pagamento de dívidas, muitas delas de curto prazo e sem garantia, o que pressiona o orçamento mesmo antes de entrarem na conta despesas básicas como luz, água e alimentação.
Isso mesmo num cenário de taxa de desemprego nas mínimas históricas.
— Se a economia desacelerar, se as pessoas perderem o emprego ou não tiverem aumento de salário, vai ser mais difícil desalavancar e essas famílias continuarem consumindo.
As pessoas ainda não mudaram o comportamento — observa.
Katherine observa que a queda da Selic ainda não chegou no orçamento familiar.
Segundo o BC, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas foi a 62,4% ao ano em agosto, alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos em 12 meses.
— Os bancos estão cautelosos, até porque a inadimplência subiu muito e há ainda uma imprevisibilidade (sobre as políticas econômicas a serem adotadas) após o resultado das eleições e a insegurança sobre política fiscal — observa. — O crédito está desacelerando, mas é como se o navio continuasse indo para frente.
Você não tem uma grande mudança de rota.
Nível de incerteza
A perspectiva de que o Desenrola 3.0 possa reduzir a inadimplência e o endividamento também levanta dúvidas na visão de Katherine, já que não está claro como o programa será operacionalizado e quais modalidades de dívida serão cobertas.
A nova versão do programa deve permitir que empresas que detêm carteiras de dívidas as vendam com desconto para a União, o que faz o consumidor deixar de dever à empresa privada e passar a dever a um banco público.
— Falta uma campanha de esclarecimento sobre as modalidades de crédito e os riscos de endividamento.
É difícil isso para o governo, mas ele fez agora com a proibição das bets.
Outra medida que pode ajudar a reduzir os juros e, consequentemente, o custo do crédito está ligada à comunicação do governo.
O quarto mandato do presidente Lula precisará dar sinais aos agentes econômicos de que melhorará sua capacidade de pagamento, o que tende a reduzir os juros.
Dependendo de quem comandar a política econômica, diz Katherine, o nível de incerteza também cai.”
VerdadeiroOs ativos problemáticos no crédito às famílias atingiram o maior nível desde 2012, segundo o Banco Central.
Esquerda DireitaICL Notícias, Folha de S.Paulo, Revista Oeste
Os veículos de esquerda e direita relatam o recorde. A categoria inclui operações com atraso superior a 90 dias ou sinais de que não serão integralmente honradas.
Ver fontes e trechos (3)
- ICL Notícias · Reportagem
Dívidas sem perspectiva de pagamento pelas famílias atingem maior nível desde 2012, diz BC
Trecho consultado na análise
“Por Nathalia Garcia
(Folhapress) – A capacidade de pagamento de empresas e famílias continua desafiadora, trazendo mais riscos ao sistema financeiro nacional, segundo relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (27).
Segundo a autoridade monetária, os ativos considerados problemáticos cresceram no crédito às famílias e atingiram o maior nível desde 2012.
Enquadram-se nessa categoria as operações de crédito em atraso há mais de 90 dias e outras operações com indícios de que não serão integralmente honradas.
De acordo com o BC, a inadimplência foi o principal fator desse movimento, e teria aumentado mesmo se as políticas de baixa a prejuízo (write-off) não tivessem sido alteradas no ano passado.
As estimativas de probabilidade de default -ou seja, calote- indicam continuidade da pressão na maioria das modalidades na segunda metade deste ano.
Do lado das famílias, o comprometimento de renda atingiu o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com intenso impacto nos tomadores de menor renda.
Quanto às empresas, aumentou o número de companhias com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, indicando margem de segurança mais estreita para honrar dívidas.
O BC concluiu que a inadimplência também teria aumentado mesmo sem as mudanças regulatórias.
Segundo estimativa do órgão, em junho, a taxa de inadimplência do sistema financeiro nacional seria 0,78 ponto percentual inferior caso os critérios de baixa vigentes até 2024 tivessem sido mantidos.
Esse efeito corresponde a aproximadamente 45% da elevação de 1,76 ponto percentual observada desde dezembro de 2024.
A autoridade monetária considera que o efeito da mudança regulatória sobre a variação da inadimplência tende a diminuir ao longo do tempo.
Em relação ao consignado voltado para trabalhadores do setor privado, o BC avaliou que cresceram os volumes de concessão na modalidade, mas que as operações têm apresentado materialização de risco superior a linhas de crédito mais arriscadas.
Desafios operacionais pressionam a inadimplência no segmento, superando a verificada no crédito pessoal não consignado sem garantias.
Parte relevante dos saldos em atraso, contudo, se concentra em operações cujos tomadores permaneceram empregados ou retornaram ao mercado formal de trabalho após eventual desligamento.
“Considerando que, nessas situações, o desconto em folha deveria permanecer como mecanismo de mitigação de risco, os resultados sugerem possível influência de fricções operacionais sobre o desempenho da carteira”, afirma o BC.
A autoridade monetária também destacou que a rentabilidade do sistema bancário recuou no primeiro semestre deste ano, com maior pressão sobre bancos públicos diante dos riscos associados ao crédito rural e ao crédito pessoal.”
VerdadeiroEm junho, 20,3 milhões de pessoas eram classificadas como endividadas de risco, equivalentes a 17% dos devedores.
Esquerda DireitaFolha de S.Paulo, Revista Oeste
O dado aparece em reportagens dos veículos de esquerda e direita, atribuído ao Banco Central.
Ver fontes e trechos (2)
- Folha de S.Paulo · Reportagem
Dívidas sem perspectiva de pagamento pelas famílias atingem maior nível desde 2012, diz BC
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A capacidade de pagamento de empresas e famílias continua desafiadora, trazendo mais riscos ao sistema financeiro nacional, conforme relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (27).
Segundo a autoridade monetária, os ativos considerados problemáticos cresceram no crédito às famílias e atingiram o maior nível desde 2012.
Enquadram-se nessa categoria as operações de crédito em atraso há mais de 90 dias e outras operações com indícios de que não serão honradas integralmente.
De acordo com o BC, a inadimplência foi o principal fator desse movimento, e teria aumentado mesmo se as políticas de baixa a prejuízo (write-off) não tivessem sido alteradas no ano passado.
As estimativas de probabilidade de default —ou seja, calote— indicam continuidade da pressão na maioria das modalidades na segunda metade deste ano.
Do lado das famílias, o comprometimento de renda atingiu o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com intenso impacto nos tomadores de menor renda.
A análise do BC mostra que as dívidas no cartão de crédito comprometem o orçamento familiar em todas as faixas de renda, incluindo a de quem ganha mais de dez salários mínimos (4,4 milhões de clientes).
Na faixa até dois salários mínimos, que engloba 61,2 milhões de brasileiros, as dívidas de cartão representavam 15% do comprometimento de renda em junho, de um total de 42%.
"Mesmo nas faixas de renda mais elevadas, a partir de um nível de comprometimento da renda e dependência daquela pessoa com essas modalidades sem garantia, o comportamento que a gente vê é muito similar", afirmou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na apresentação do relatório.
"A gente percebe que a modalidade se sobrepõe inclusive à faixa de renda para explicar como foi o comportamento dessa jornada do cliente até chegar a uma deterioração e inadimplência", acrescentou.
No fim do primeiro semestre, 20,3 milhões de pessoas se enquadravam como "endividados de risco", o equivalente a 17% do total de devedores do sistema financeiro.
A cifra representa um crescimento de 75% em relação a junho de 2021, durante a pandemia.
Quanto às empresas, aumentou o número de companhias com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, indicando margem de segurança mais estreita para honrar dívidas.
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Conforme pesquisa do BC, a crescente digitalização dos serviços financeiros tem ampliado significativamente a exposição de consumidores de menor renda a ofertas, contribuindo para o maior endividamento dos clientes.
Em resposta a esse problema, o BC disse estudar medidas macroprudenciais voltadas a segmentos de crédito de maior risco, com o objetivo de reduzir o superendividamento da população e fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro.
A autoridade monetária não detalhou no relatório quais são as medidas, mas uma das ações esperadas pelo mercado é a alteração do chamado FPR (Fator de Ponderação de Risco) para as operações de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia (não consignado), como mostrou a Folha .
Na apresentação do relatório, o diretor Aílton de Aquino (Fiscalização) ressaltou que algumas das medidas já foram anunciadas, como as ações para coibir abusos nas ofertas de crédito .
As instituições deverão oferecer um mecanismo claro para bloqueio de propagandas e ofertas ativas a partir de 31 de março de 2027.
A norma prevê proteção reforçada para clientes com maior risco de endividamento excessivo.
Segundo Galípolo, o BC pretende anunciar medidas adicionais ainda neste ano.
Ele, contudo, não antecipou o desenho das próximas iniciativas.
"As medidas que a gente publicou agora atendem e alcançam essas pessoas do ponto de vista de oferta ativa que você possa fazer de crédito.
Há uma preocupação especificamente com as pessoas que já entraram no rotativo e já estão pagando os juros do cartão e pessoas que já estão com um nível de atraso significativo", disse.
O BC concluiu no relatório que a inadimplência também teria aumentado mesmo sem as mudanças regulatórias.
Segundo estimativa do órgão, em junho, a taxa de inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto percentual inferior caso os critérios de baixa vigentes até 2024 tivessem sido mantidos.
Esse efeito corresponde a 45% da elevação de 1,76 ponto percentual observada desde dezembro de 2024.
A autoridade monetária considera que o efeito da mudança regulatória sobre a variação da inadimplência tende a diminuir ao longo do tempo.
Em relação ao consignado voltado para trabalhadores do setor privado, o BC avaliou que cresceram os volumes de novos empréstimos na modalidade , mas constatou um efeito limitado dessa linha como instrumento para amortizar dívidas antigas e mais caras, como esperado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento do crédito do trabalhador, no fim de março de 2025.
A análise do Banco Central mostrou que não houve redução significativa nas dívidas com cartão de crédito entre os tomadores do consignado CLT.
As operações, de acordo com o órgão, têm apresentado materialização de risco superior à de linhas de crédito mais arriscadas.
Desafios operacionais pressionam a inadimplência no segmento, superando a verificada no crédito pessoal não consignado sem garantias.
Parte relevante dos saldos em atraso, contudo, se concentra em operações cujos tomadores permaneceram empregados ou retornaram ao mercado formal de trabalho após eventual desligamento.
"Considerando que, nessas situações, o desconto em folha deveria permanecer como mecanismo de mitigação de risco, os resultados sugerem possível influência de fricções operacionais sobre o desempenho da carteira", afirmou o BC.
Mais
A autoridade monetária também destacou que a rentabilidade do sistema bancário recuou no primeiro semestre deste ano, com maior pressão sobre bancos públicos em função do aumento do provisionamento e da materialização de risco de crédito, associados ao crédito rural e pessoal.
Com base nos níveis de capital observados em junho, o BC estima que 242 instituições não cumpriam os requerimentos individuais que passaram a vigorar um mês depois, em julho.
No relatório anterior, com base de dezembro de 2025, eram 339 entidades.
"Neste momento, não se perdeu licença nenhuma.
Essas instituições que não estão enquadradas na data-base de junho vão sofrer algumas medidas de restrições", disse Aquino, citando como exemplo limitações relacionadas à captura de clientes e a determinadas operações.
"A gente precisa ter uma porta de saída [organizada], nós não construímos ainda um arcabouço normativo para saída.
Estamos estudando normas para facilitar a saída dessas instituições desenquadradas", complementou o diretor de Fiscalização.
O BC calculou que estavam nessa situação, por exemplo, 56 instituições de pagamento (27,1%), 53 sociedades de crédito direto (37,3%), 29 administradoras de consórcio (23,4%) e 20 sociedades corretoras de câmbio (39,2%).
"O regime de transição confere prazo para que essas entidades se adequem à exigência, enquanto a supervisão acompanha a evolução do processo e adota as medidas cabíveis no âmbito de suas atribuições’, disse o BC.
A partir de 1º de janeiro de 2028, 100% devem seguir as novas regras.
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VerdadeiroO comprometimento de renda das famílias atingiu, no primeiro semestre, o nível mais alto em 21 anos.
Esquerda DireitaICL Notícias, Folha de S.Paulo, Revista Oeste
Os veículos de esquerda e direita relatam esse patamar com base no relatório do Banco Central; o período citado é o primeiro semestre.
Ver fontes e trechos (3)
- ICL Notícias · Reportagem
Dívidas sem perspectiva de pagamento pelas famílias atingem maior nível desde 2012, diz BC
Trecho consultado na análise
“Por Nathalia Garcia
(Folhapress) – A capacidade de pagamento de empresas e famílias continua desafiadora, trazendo mais riscos ao sistema financeiro nacional, segundo relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (27).
Segundo a autoridade monetária, os ativos considerados problemáticos cresceram no crédito às famílias e atingiram o maior nível desde 2012.
Enquadram-se nessa categoria as operações de crédito em atraso há mais de 90 dias e outras operações com indícios de que não serão integralmente honradas.
De acordo com o BC, a inadimplência foi o principal fator desse movimento, e teria aumentado mesmo se as políticas de baixa a prejuízo (write-off) não tivessem sido alteradas no ano passado.
As estimativas de probabilidade de default -ou seja, calote- indicam continuidade da pressão na maioria das modalidades na segunda metade deste ano.
Do lado das famílias, o comprometimento de renda atingiu o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com intenso impacto nos tomadores de menor renda.
Quanto às empresas, aumentou o número de companhias com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, indicando margem de segurança mais estreita para honrar dívidas.
O BC concluiu que a inadimplência também teria aumentado mesmo sem as mudanças regulatórias.
Segundo estimativa do órgão, em junho, a taxa de inadimplência do sistema financeiro nacional seria 0,78 ponto percentual inferior caso os critérios de baixa vigentes até 2024 tivessem sido mantidos.
Esse efeito corresponde a aproximadamente 45% da elevação de 1,76 ponto percentual observada desde dezembro de 2024.
A autoridade monetária considera que o efeito da mudança regulatória sobre a variação da inadimplência tende a diminuir ao longo do tempo.
Em relação ao consignado voltado para trabalhadores do setor privado, o BC avaliou que cresceram os volumes de concessão na modalidade, mas que as operações têm apresentado materialização de risco superior a linhas de crédito mais arriscadas.
Desafios operacionais pressionam a inadimplência no segmento, superando a verificada no crédito pessoal não consignado sem garantias.
Parte relevante dos saldos em atraso, contudo, se concentra em operações cujos tomadores permaneceram empregados ou retornaram ao mercado formal de trabalho após eventual desligamento.
“Considerando que, nessas situações, o desconto em folha deveria permanecer como mecanismo de mitigação de risco, os resultados sugerem possível influência de fricções operacionais sobre o desempenho da carteira”, afirma o BC.
A autoridade monetária também destacou que a rentabilidade do sistema bancário recuou no primeiro semestre deste ano, com maior pressão sobre bancos públicos diante dos riscos associados ao crédito rural e ao crédito pessoal.”